O amor de São Francisco a Virgem Maria

Descubra quão grande foi o amor e a devoção de São Francisco de Assis a Virgem Maria e o quanto ela foi importante em sua vida e missão.

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São Francisco de Assis é muito conhecido pelo seu amor a Jesus Cristo e aos pobres, à natureza e aos animais, mas pouco se sabe sobre o profundo amor que nutria pela Santíssima Virgem Maria. O Santo tinha um amor indizível a Mãe de Jesus, especialmente porque fez nosso Irmão o Senhor Jesus Cristo. Francisco consagrava a Santíssima Virgem: louvores especiais, orações, afetos, tantos e tais que nenhuma língua humana poderia dizer.

A vida espiritual do Pobre de Assis foi profundamente marcada pela devoção a Nossa Senhora, bem como a sua missão especial junto aos mais necessitados. Consequentemente, a devoção mariana de Francisco influenciou marcadamente a Ordem dos Franciscanos. Pois, o Santo a constituiu Advogada da Ordem e à sua proteção e guia confiou os seus filhos espirituais até o fim. O Santo deixou a Advogada dos pobres o ofício de proteger os Franciscanos pelo tempo que foi predeterminado pela divina Providência[1].

São Francisco e Santa Maria dos Anjos

Certo dia, Francisco saiu da cidade para meditar e, ao passar pela igreja de São Damião, sentiu-se atraído e entrou para rezar. O Santo ajoelhou-se diante de um crucifixo, que ainda se mantinha na parede da capela em ruínas. Então, sentiu-se profundamente confortado em seu espírito e seus olhos se encheram de lágrimas ao contemplar a cruz. De repente, ouviu uma Voz, que vinha do crucifixo, que repetiu por três vezes: “Francisco, vai e restaura a minha casa. Vês que ela está em ruínas”[2]. Francisco estava sozinho na igreja e ficou com medo ao ouvir aquela Voz. Entretanto, a força daquelas palavras penetrou profundamente em sua alma e ele entrou em êxtase.

Depois que voltou a si, prontamente colocou em prática a ordem recebida, concentrando todas as suas energias na restauração daquela igreja em ruínas. No entanto, aquela que estava em ruínas e precisava ser reformada era a Igreja invisível, espiritual, o que ele descobriria mais tarde. Com muito trabalho e dedicação, com a ajuda de colaboradores, reformou a igreja de São Damião e também a igreja de São Pedro.

Após a reforma dessas duas igrejas, São Francisco chegou a um lugar chamado Porciúncula, onde havia uma velha igreja abandonada, dedicada a Santíssima Virgem. O Santo era grande devoto de Nossa Senhora e, quando viu a igreja tão descuidada, passou a morar nela, a fim de restaurá-la. Neste lugar, Francisco foi agraciado com a visita frequente dos santos anjos, o que não é de se estranhar, pois a igreja se chamava Santa Maria dos Anjos. O Pobre de Assis se fixou nesta igreja por causa de seu respeito pelos anjos e de seu amor a Mãe de Cristo. “Sempre amou esse lugar acima de qualquer outro no mundo, pois foi aí que ele principiou humildemente, progrediu na virtude e atingiu a culminância da felicidade. Foi esse lugar que ele confiou aos Irmãos ao morrer como particularmente caro a Santíssima Virgem”[3].

Santa Maria dos Anjos na missão de Francisco

Antes de sua conversão, Francisco teve uma visão: ao redor da igreja de Santa Maria dos Anjos ele viu uma multidão, um número incalculável de pobres cegos, de joelhos, com os braços erguidos e o olhar voltado para o Céu. Com gritos e lágrimas, todos eles imploravam a misericórdia e a luz dos olhos. Então, eis que uma luz brilhante desceu dos Céus e envolveu a todos, restituindo-lhes a visão e a saúde que desejavam.

Na Porciúncula, onde se encontrava a igreja de Santa Maria dos Anjos, São Francisco fundou a Ordem dos Frades Menores, por inspiração de Deus. A divina Providência o levou restaurar essas três igrejas antes de fundar a Ordem dos Franciscanos e começar a pregar o Evangelho.

Depois da restauração, Francisco permaneceu ainda algum tempo na igreja de Santa Maria dos Anjos, suplicando a Mãe de Deus instante e continuamente para que se tornasse sua Advogada. “E pelos méritos da Mãe de misericórdia e junto daquela que concebera o Verbo cheio de graça e de verdade, ele também concebeu e deu à luz o espírito da verdade evangélica”[4].

Este fato aconteceu quando o Santo assistia devotamente a Santa Missa dos Apóstolos. O Santo Evangelho falava da missão dos discípulos, a quem Jesus Cristo envia a pregar e ensina-lhes como viver o Evangelho: “Não leveis ouro, nem prata, nem dinheiro nos vossos cintos; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão” (Mt 10, 9-10). Ao ouvir esta passagem das Sagradas Escrituras, o Pobre de Assis recebeu a inspiração de como deveria ser o seu modo de vida e os de seus confrades:

Compreendeu imediatamente o sentido da passagem e, em seu amor pela pobreza apostólica, reteve essas palavras firmemente na memória e, cheio de indizível alegria, exclamou: “E isso o que desejo ardentemente; é a isso que aspiro com todas as veras da alma”. E sem mais delongas, arroja para longe os calçados, abandona o bastão que levava, despreza bolsa e dinheiro e, contente com vestir uma pobre túnica, se desfaz do cinto em que pendia a espada, se cinge com uma corda áspera e nodosa, repele do coração toda preocupação terrena e já não pensa em nada mais senão na maneira como haveria de pôr em execução aquela celestial doutrina para se conformar perfeitamente ao gênero de vida observado pelos apóstolos[5].

Uma aparição celeste a São Francisco de Assis

Certo dia, um menino muito puro e inocente foi recebido na Ordem Franciscana, enquanto São Francisco ainda estava em vida. Os frades moravam num pequeno eremitério e, por necessidade, dormiam dois a dois. Francisco chegou àquele lugar e, depois da oração das Completas, foi-se deitar. Pois, era seu costume levantar à noite para rezar, enquanto os outros irmãos dormiam.

Nesse dia, o menino resolveu espiar os passos do Seráfico Pai, para conhecer a sua santidade, especialmente o que fazia quando se levantava à noite. Para que o sono não o vencesse, deitou-se ao lado de São Francisco e amarrou a sua corda à dele, para perceber quando se levantasse. Quando todos dormiam o primeiro sono, Francisco levantou-se e, vendo o cordão do menino ligado ao seu, desamarrou cuidadosamente, de modo que o menino o não notou. Então, Francisco foi para um bosque próximo, entrou numa cova e pôs-se em oração.

Depois de algum tempo, o menino despertou e viu que o cordão estava desatado. Viu também que o Pobre de Assis tinha se levantado. Então, levantou-se e foi em busca dele e encontrando a porta que dava para o bosque aberta, imaginou que Francisco tivesse ido para lá. Ao aproximar-se do lugar onde São Francisco rezava, ele começou a ouvir um murmúrio muito alto. Chegando ao lugar, viu uma luz admirável e, no meio dela, viu Jesus Cristo e a Virgem Maria, São João Batista e São João Evangelista, e grande multidão de Anjos, que falavam com São Francisco.

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Diante dessa visão extraordinária, o menino caiu por terra e desmaiou. Depois desta santa aparição, São Francisco voltava para o convento quando tropeçou no corpo do menino, que continuava caído, como morto. Cheio de compaixão, o Santo o levantou, tomou-o nos braços e o levou para dentro. Depois, Francisco soube que o garoto tinha presenciado a aparição. Por isso, ordenou a ele que nada dissesse enquanto estivesse em vida. O menino cresceu muito na graça de Deus, na devoção a São Francisco, e foi insigne frade na Ordem dos Franciscanos. Somente depois da morte do Seráfico Pai revelou aos irmãos da ordem aquela visão maravilhosa[6].

São Francisco de Assis e a reforma espiritual

Portanto, ao conhecer um pouco melhor a história de São Francisco de Assis, percebemos a importância da Santíssima Virgem Maria na vida e na vocação desse grande Santo. Além disso, Nossa Senhora também foi, e continua a ser, de particular importância na Ordem dos Franciscanos e na Ordem de Santa Clara (Clarissas), que Francisco ajudou a fundar.

Depois de conhecer melhor a história de Francisco, somos chamados a tomar este grande Santo como exemplo. Diante de uma Igreja que precisa ser reformada, comecemos por reformar primeiramente a nossa vida, no campo material, no desapego das coisas deste mundo, mas também e principalmente no campo espiritual. Nesse sentido, façamos como o Santo, que encontrou no silêncio, pobreza e na simplicidade da Porciúncula, aquela que podemos constituir, como ele, a Advogada de nossas almas.

A visão de Jesus Cristo, da Virgem Maria, dos santos e dos anjos nos ajuda a compreender como não estamos sozinhos em nossas orações. Essa realidade é um incentivo a mais para nos colocar em oração pela igreja que, como outrora, está espiritualmente em ruínas. Roguemos a Deus para que nos envie santos reformadores da vida espiritual como o Pobre de Assis.

São Francisco de Assis e Santa Maria dos Anjos, rogai por nós!

AUTOR:
NATALINO UEDA
Brasileiro, católico, formado em Filosofia e Teologia. Na consagração a Virgem Maria, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort, explicado no seu livro “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”, descobriu o caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensina e escreve sobre esta devoção, o caminho “a Jesus por Maria”, que é hoje o seu maior apostolado.

FONTE:
BLOG TODO DE MARIA
Comunidade Canção Nova

 

Links relacionados:

PADRE APULO RICARDO. O Perdão de Assis.

TODO DE MARIA. A história de Nossa Senhora dos Anjos.

TODO DE MARIA. Maria, Rainha dos santos anjos.

Referências:


[1]  Cf. TOMÁS CELANO. Vida De São Francisco, C 150, 198.

[2]  SÃO BOAVENTURA. Legenda Maior, C 2, 1.

[3]  Idem, C 2, 8.

[4]  Idem, C 3, 1.

[5]  Idem, ibidem.

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