Meditação 1º Sábado de Abril de 2014

Salve Maria15

Meditação dos Primeiros Sábados

 

1º Mistério Doloroso – Abril – 2014

Agonia de Nosso Senhor no Horto

Introdução:

Vamos dar início à meditação reparadora dos primeiros sábados, que nos foi indicada por Nossa Senhora, quando apareceu em Fátima em 1917. Pedia Ela que comungássemos, rezássemos um terço, fizéssemos meditação dos mistérios do Rosário e confessássemos em reparação ao seu Sapiencial e Imaculado Coração. Para os que praticassem esta devoção, Ela prometia graças especiais de salvação eterna.

Hoje encerra-se a quarta semana da quaresma. Ocasião propícia para meditarmos num dos mistérios da Paixão. Os dolorosos acontecimentos que conduziram Nosso Senhor até a sua Crucifixão e Morte tiveram seu início com a Agonia de Nosso Senhor no Horto das Oliveiras. Razão pelo qual escolhemos o primeiro mistério doloroso.

Composição de lugar:

Como composição de lugar, devemos recompor com nossa imaginação o local do Jardim do Horto das Oliveiras, onde Cristo rezou ao Pai e se preparou para os momentos dramáticos da Paixão.

Oração Preparatória:

Nós Vos pedimos, ó Mãe Dolorosa, graças sobre graças para acompanharmos este passo da Paixão, este mistério do Rosário com toda compenetração de espírito, todo o fervor e todo o ardor de alma que Vós tivestes naquela ocasião. Assim Vos pedimos porque queremos melhor reparar o vosso Coração, que tantas ofensas recebe da humanidade, por tantos pecados cometidos ao longo de toda a História, especialmente nos dias de hoje. Dai-nos, ó Mãe, luzes, fervor, entusiasmo e contrição para aproveitarmos bem esta meditação a fim de repararmos dignamente o vosso Imaculado e Sapiencial Coração. Amém.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (26, 36-46).

 

Retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: “Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar”. E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Disse-lhes, então: “Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo”.

Adiantou-se um pouco e, prostrando-se com a face por terra, assim rezou: “Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres”.

Foi ter então com os discípulos e os encontrou dormindo. E disse a Pedro: “Então não pudestes vigiar uma hora comigo… Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca”.

Afastou-se pela segunda vez e orou, dizendo: “Meu Pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, faça-se a tua vontade!” Voltou ainda e os encontrou novamente dormindo, porque seus olhos estavam pesados.

Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. Voltou então para os seus discípulos e disse-lhes: “Dormi agora e repousai! Chegou a hora: o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores… Levantai-vos, vamos! Aquele que me trai está perto daqui” (Mt 26, 36-46).

I – Jesus retirou-se para se recolher em oração

Como em outras ocasiões, ao ter que tomar decisões de suma importância, Nosso Senhor retirou-se para rezar. Chegará o momento ápice para a História da humanidade. Inicia-se a Paixão.

O mesmo deve acontecer conosco. Quando temos uma oração importante para fazer, o ideal é que nos retiremos, nos recolhamos. Foi com este estado de espírito, que levou muitos cristãos dos primeiros tempos a se retirarem para lugares desertos, para poderem levar uma vida de contemplação, de oração e penitência.

1 – Começou a entristecer-se e a angustiar-se…

A agonia no Horto começou pouco depois da Santa Ceia, durante a qual o apostolo traidor se retirou para realizar seu infame desígnio, portanto, junto a Nosso Senhor nessa hora trágica estavam os 11 Apóstolos.

Ele diz aos onze: “assentai-vos aqui”, ou seja, esperem. Porque eles não estavam ainda preparados para vê-Lo naquele transe tão terrível, transe tão amargo pelo qual Ele ia passar.

Afastou-se do conjunto acompanhado apenas de São Pedro, São Tiago e São João, que estiveram presentes na Transfiguração do Tabor, que deveriam colocar tudo por escrito o que assistiram e ouviram e estar preparados para essa hora, e sustentar aos outros Apóstolos.

Não foi isso o que aconteceu.

Diz ainda o Evangelho que “Ele começou a entristecer-se e a angustiar-se”, e os Padres da Igreja, como por exemplo Santo Hilário e Santo Agostinho, comentam esse entristecimento. Por que começou Ele a entristecer-se somente nessa hora? Era por acaso medo da morte? Não podia ser! Porque Ele é quem dá a graça a todos os mártires, Ele, justamente, ia distribuir graças aos Apóstolos para não temerem a morte. Por isso São Pedro, São Paulo e São Tiago não tiveram medo da morte.

Como poderia ter medo da morte Aquele que confere a graça de enfrentar a morte? Como ia ter medo da morte Aquele que faz ressuscitar da morte? Ele havia ressuscitado Talita, filha de Jairo, e ressuscitado Lázaro. Em verdade não era a morte que lhe causava medo. Não era a morte que lhe causava tristeza. Não era a morte que lhe causava angústia… O que se passava com Ele, então?

Diz Santo Irineu que no Horto, Cristo começou a ver diante de Si todo o panorama da ordem da criação: os Anjos, Adão e Eva no Paraíso, a História da humanidade, os pecados que foram cometidos até o momento em que Ele está ali, no Horto das Oliveiras, e todos os pecados que iam ser cometidos até o fim do mundo.

Não houve um só pecado que Ele não tivesse visto a partir desse momento. Por isso ele exclama:: “Minha Alma está triste até a morte”.

2 – Cristo viu o quanto seria rejeitado

Cristo, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, é a bondade em essência. Deus não é bondoso, Ele é a Bondade. Ele quer dar o que há de mais extraordinário n’Ele, que é a participação da Vida própria d’Ele durante a eternidade, entretanto Ele vê rejeição.

Uma mãe de família, uma senhora quando dá uma festa, prepara os melhores quitutes, as melhores iguarias. Prepara a comida que é a comida dos sonhos de toda a família. Agora imaginemos a decepção dessa senhora quando vê os convidados olhando para as iguarias todas e rejeitando:

— Muito obrigado! Eu não vou comer nada porque estou muito satisfeito.

E não comem nada, rejeitam o banquete que lhes foi oferecido. A senhora, então, fica decepcionada; fica completamente desapontada pelo fato de ver que não comeram o que ela preparou. Imaginemos a grande decepção dela ao tomar todos os alimentos e recolher alguns que se estragaram, outros sequer cabem na geladeira… Ela tem, portanto, uma decepção tremenda pela festa que preparou.

Pois bem, Nosso Senhor não nos preparou um banquete fugaz, Ele nos preparou um banquete eterno! E esse é o drama vivido por Ele no Horto das Oliveiras ao contemplar a obra da criação e ver o quanto Ele seria rejeitado e ofendido. O quanto o prêmio que Ele preparou para nós será recusado, trocado por bens temporais, transitórios…

Quando exclamou “Minha Alma está triste até a morte”, nessa hora Cristo viu os meus pecados. Cristo viu a cada um de nós…

Alguém poderia dizer:

— Mas como pode caber todos os pecados de todos os homens num breve momento de oração?

Pois nós também veremos, em poucos instantes, de uma forma miraculosa, todos os pecados da humanidade no dia do Juízo Final. Naquele dia a humanidade toda irá se reunir no Vale de Josafá, e cada um de nós irá conhecer os pecados de todos os homens. Conhecerá um a um, por uma ação misteriosa de Deus, por uma ação miraculosa de Deus.

Assim, no Horto, eu também fui contemplado por Nosso Senhor, que viu as minhas maldades, os momentos em que ofendi a Deus aqui, lá e acolá; em que não andei bem… Todos os meus pecados apareceram diante d’Ele. Isso tudo fez parte da angústia mortal de Nosso Senhor na Paixão.

Ato de contrição:

Senhor meu Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro, Criador e Redentor meu, por serdes Vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas, e porque Vos amo e estimo, pesa-me, Senhor, por Vos ter ofendido; pesa-me também por ter perdido o Céu e merecido o inferno. Mas proponho firmemente, com o auxílio de vossa divina graça, e pela poderosa intercessão de vossa Mãe Santíssima, emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender. Espero alcançar o perdão de minhas culpas, por vossa infinita misericórdia. Amém.

II – A vigilância na vida do cristão

Continuando o Evangelho, temos que Ele pede aos três Apóstolos: “Ficai aqui e vigiai comigo”, além do espírito de oração, Ele quer incutir em nós o espírito de vigilância.

“Adiantou-se um pouco e, prostrando-se com a face por terra, assim rezou”.

 

Recolhamo-nos um pouco mais profundamente e contemplemos essa maravilha: Jesus está a sós no Horto das Oliveiras, e Ele com a grandeza d’Ele, com a majestade d’Ele se ajoelha e imediatamente se prosterna! Todo o seu sagrado corpo d’Ele na terra, a face d’Ele no chão. Não podia haver postura mais humilde… É a humilhação por excelência de um Deus que criou todo o universo. Ele se ajoelha e se prosterna!

Ele podia rezar de pé ou sentado, porém essa é uma oração solene demais até para se rezar de joelhos. Ele quis prosternar-se por causa da importância extraordinária daquela oração, mas também porque Ele quis nos ensinar que nós somos corpo e alma, e que o corpo deve acompanhar as atitudes da alma.

Em tempos passados a educação era firme, sólida e a disciplina exigia compostura que nos era dada; a disciplina que nos era exigida; a compostura no modo de sentar-se, de caminhar e de estar sentados. Entretanto Nosso Senhor nos dá o exemplo, mostrando-nos o quanto a educação é necessária.

Nós somos corpo e alma, portanto necessitamos fazer com que o corpo acompanhe os movimentos da alma. Nossa alma deve estar em oração. Se nossa alma deve estar em oração, nosso corpo deve acompanhá-la.

Nessa fase da oração de Nosso Senhor no Horto eu devo me perguntar que cuidados tenho com o meu corpo. Nosso corpo é templo da Santíssima Trindade, portanto é, a esse título, sagrado, e devemos respeitá-lo em função de nós mesmos e dos outros.

Por exemplo, quando nos vestimos, temos o cuidado de nos perguntar se estamos sendo ocasião de pecado para os outros, ou pareço não importar-me com isso, sendo escravo ou escrava do mundo da moda?

1 – Qual a utilidade do meu sangue?

Cristo eleva ao Pai uma oração comovedora: “Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres”.

Entre os versículos do Salmo, encontramos esta dramática exclamação repetida por Nosso Senhor no Horto: “Qual a utilidade do meu sangue?” (Sl 29, 10). Ele, em sua natureza humana, pergunta-se da utilidade de todo aquele sacrifício pelo qual passaria, uma vez que seria recebido de um modo brutal?

Diante da perplexidade de sua natureza humana, Cristo oferece ao Pai uma oração toda ela feita de respeito, de resignação: “Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres”.

Apesar de todo o seu tormento, Cristo não esquece dos seus. Deus é caridade! Depois de uma hora de oração, Ele se levanta e vai até eles. Porém os encontra dormindo… Ele acorda Pedro e faz aquela célebre queixa: “Não pudestes vigiar uma hora comigo. Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca”.

Por que Ele diz a Pedro que é preciso antes de tudo vigiar e depois orar? Porque se Ele dissesse só orar estaria dando um conselho incompleto. Imaginemos um santo que seja muito santo, santíssimo, de virtude comprovada durante toda a sua vida, um inocente. Se esse inocente só rezar e não vigiar, ele cai. Por quê? Porque não basta rezar, é preciso evitar as ocasiões próximas de pecado. Eu devo evitar as companhias que me fazem mal; os cartazes imorais que ficam pelo meu caminho; evitar as más leituras; evitar um mau programa de televisão; evitar uma má conversa… O que leva ao pecado eu devo evitar, pois só a oração não vai me manter.

É necessário não só recusar, mas também execrar os maus olhares para pessoas mal vestidas, que deliberadamente ou não, são instrumento nas mãos de Satanás.

No nosso exame de consciência devemos não apenas nos perguntar o que nós fizemos, mas buscar no nosso subconsciente as raízes pela qual nós fizemos. Um exame sério, exige essa atitude de alma.

A razão está na nossa natureza débil, concebida pelo pecado original, que nos leva ao pecado se não vigiarmos, ainda que rezemos. Portanto é preciso que rezemos e vigiemos, que estejamos atentos, inteiramente acesos para com os perigos, com os riscos.

2 – A misteriosa bebida contida no cálice trazido pelo Anjo

Depois de considerar todos os pecados da humanidade, Cristo vê com clareza divina a utilidade redentora de seu preciosíssimo Sangue e é consolado pela visão da sua Obra: a Santa Igreja, a Cristandade, os santas e santos que viriam, os fundadores e todos os frutos da Redenção. Um Anjo desce do Céu para confortá-lo.

III – Conclusão

Cristo é a cabeça do Corpo Místico, cabeça da Igreja. O que aconteceu com Ele, acontece conosco também. Por mais que passemos por situações difíceis, devemos ter certeza de que Deus nos falará a traves de nosso Anjo da Guarda, um Anjo que é nosso, exclusivamente e que nos protege a todo instante. É ele o nosso melhor amigo.

Nosso Senhor, antes de ser consolado pelo Anjo, suou Sangue! Tal é a meditação que Ele fez a respeito de todo sofrimento, de todo sacrifício, de tudo que é preciso da parte d’Ele, que deitou Sangue por terra.

Quando Adão e Eva pecaram, Deus amaldiçoou a terra: “Maldita seja a terra por tua causa, tirarás dela, com trabalho penoso o teu sustento todos os dias de tua vida!”.

Conta uma tradição muito bonita, que Adão e Eva estiveram trabalhando no mesmo local do Horto das Oliveiras, deitando naquela terra o suor dos seus rostos. Nesta mesma terra desceu o Sangue Preciosíssimo de Nosso Senhor Jesus Cristo, para arrancar a maldição da terra e abençoá-la.

Essa é uma meditação útil para nós, para que compreendamos o quanto é necessário o sofrimento. Na Missa vemos o sacerdote colocando uma gota de água no cálice, essa gota de água significa o nosso sofrimento… O quanto é necessário que acompanhemos Nosso Senhor em todo transe de sua Paixão. E por isso, ao concluirmos esta meditação, peçamos a Nossa Senhora graças especialíssimas, agradecendo também a Ela por nos ter permitido atender ao apelo d’Ela em Fátima neste primeiro sábado.

Representa a nossa participação no oferecimento a Deus de Vítima divina que é Nosso Senhor Jesus Cristo.

Oração Final:

Ó Virgem Santíssima, a Vós que fostes a companheira à distância no Horto das Oliveiras, a vós que também acompanhastes, dolorosamente, passo a passo, a Paixão de seu Divino Filho, oferecemos esta meditação. Aceite-a em desagravo ao Vosso Sapiencial e Imaculado Coração por todas as faltas, por todos os crimes, por todos os horrores que foram cometidos no passado, são cometidos no presente e ainda serão cometidos até o fim do mundo.

E Vos pedimos, ó Mãe, que nós dê sempre graças sobre graças para vivermos dentro da perspectiva do quanto é necessário, também para cada um de nós, os sofrimentos; do quanto causamos de dores a Nosso Senhor em sua Paixão e, especialmente, nesta oração que Ele fez no Horto. Dai-nos, ó Mãe, a graça de confiar na bondade d’Ele, na misericórdia d’Ele, que também é a vossa bondade, a vossa misericórdia, e no perdão de todas as minhas faltas. Dai-me a convicção de que uma vez tendo me arrependido e confessado, sejam perdoadas todas as minhas faltas. Amém.

 

 

Quer saber mais sobre a Devoção ao Imaculado Coração e

dos primeiros Sábados? Clique aqui

 

Fonte:

APOSTOLADO DO ORATÓRIO
ARAUTOS DO EVANGELHO

 

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