Meditação 1º Sábado de Junho de 2013

Introdução

Vamos dar início à meditação reparadora dos primeiros sábados, que nos foi indicada por Nossa Senhora, quando apareceu em Fátima em 1917. Pedia Ela que comungássemos, rezássemos um terço, fizéssemos meditação dos mistérios do Rosário e confessássemos em reparação ao seu Sapiencial e Imaculado Coração. Para os que praticassem esta devoção, Ela prometia graças especiais de salvação eterna.

Há dois dias, a Igreja celebrou a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso nossa meditação será toda ela voltada à Santíssima Eucaristia.

Eucaristia Fra angelico

Composição de lugar

A fim de que possamos nos aprofundar melhor no mistério da Sagrada Eucaristia, cada um de nós deve se imaginar transportado aos tempos de Cristo, seguindo o Divino Mestre por todos os cantos, tendo a graça de ouvi-Lo pregar e maravilhar a todos com a sua Luz, com os seus ensinamentos e milagres.

 

Oração Preparatória

 

Nossa Senhora3

Ó Maria Santíssima, Senhora do Santíssimo Sacramento, humildemente vos pedimos que interceda por nós junto ao Pai a fim de que obtenhamos a Vossa graça e, através dela, nossas mentes e nossos corações sejam iluminados por Vossa Divina Luz para que possamos penetrar ao máximo o mistério da presença real de Vosso Divino Filho na Hóstia consagrada.

Pai Nosso… Ave Maria…

Reflexão: Ao comer do fruto proibido, nossos primeiros pais pecaram e entrou no mundo a morte. Por meio de outro alimento, o “Pão descido do Céu”, foi-nos restituída a vida. Na Eucaristia, o próprio Deus Se oferece ao homem como comida, dando-lhe infinitamente mais do que havia perdido.

 

“Eu sou o Pão vivo descido do Céu”

 No Evangelho de São João, capítulo 6, Nosso Senhor afirma que Ele é o Pão vivo que desceu do Céu, numa clara referência ao Santíssimo Sacramento:

“Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em Mim tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná do deserto e morreram. Este é o Pão que desceu do Céu para que aquele que dele comer não morra. Eu sou o Pão vivo descido do Céu. Quem comer deste Pão, viverá eternamente; e o Pão que Eu darei é a Minha carne para a salvação do mundo.

 

“A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne? Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos.

 

“Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia. Pois a Minha carne é verdadeiramente uma comida e o Meu sangue, verdadeiramente uma bebida.

 

“Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue permanece em Mim e Eu nele. Assim como o Pai que Me enviou vive, e Eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a Minha carne viverá por mim.

 

“Este é o pão que desceu do Céu. Não (é) como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente. (Jo 6, 49-58).

I – Deus Se oferece como alimento

hostia

Ao refletirmos sobre esta passagem do Evangelho de São João, logo nos deparamos com a obstinada incredulidade dos contemporâneos de Jesus, em relação à Sua divindade. Hoje, transcorridos dois mil anos, talvez nos pareça difícil compreender como podia alguém duvidar que Jesus Cristo fosse Deus. Afinal as provas eram tão evidentes: cura de todo tipo de doenças, libertação de possessões diabólicas, ressurreições e outros milagres assombrosos, entre os quais a mudança da água em vinho, ou a multiplicação de pães e peixes, narrada no Evangelho do dia da solenidade de Corpus Christi.

Como era, então, possível a alguém contestar as claras afirmações d’Ele a respeito de Sua divindade e desprezar os Seus divinos atributos? O que levava seus contemporâneos a tomar tal atitude?

Quando no homem predomina a matéria

A natureza humana é um composto de espírito e matéria — alma e corpo — no qual há uma graduação em que a parte espiritual deve governar a material, o que ocorre pela prática da virtude e com o auxílio da graça. Mas quando o homem se deixa dominar pelas potências inferiores, as paixões desregradas exercem uma tirania sobre a parte mais nobre e elevada, e ele fica entregue ao vício. No primeiro caso predomina o espírito e dizemos estar diante do homem espiritual; no segundo, predomina a matéria: é o homem carnal, ou como se diz modernamente, materialista.

Em relação ao segundo caso, quais são os traços da psicologia do homem carnal, para melhor compreendermos a dureza de coração dos contemporâneos de Jesus.

O materialista está voltado principalmente para a fruição sensível da vida. Seus horizontes intelectuais alcançam um pouco além da realidade concreta. Dir-se-ia ter perdido a capacidade de ver os fatos em três dimensões, passando a observar tudo apenas num plano só, o dos seus pequenos interesses pessoais e imediatos, sem a profundidade do que é eterno. Por isso, não é capaz de captar as realidades mais elevadas, de ordem sobrenatural. O materialista é um míope do espírito. Torna-se incapaz de elevar o olhar para os grandes horizontes da Fé que Deus lhe oferece misericordiosamente.

Visualização deformada dos contemporâneos de Jesus

É essa visualização distorcida do espírito que levava os contemporâneos de Jesus a verem n’Ele apenas o filho do carpinteiro José, e nada mais. Eram incapazes de admirar e venerar Suas excelsas virtudes, nas quais não podia deixar de transparecer Sua divindade, por terem o espírito endurecido pela consideração apenas da realidade concreta, imediata e visível. Não podiam admitir que Aquele que tinham visto crescer e vivia entre eles pudesse ser Deus e homem. Por isso exclamavam:“Como, pois, diz Ele: Desci do Céu?” (Jo 6, 42).

Era dessa visualização materialista que nascia a impossibilidade de aceitar o maior dom de Deus à humanidade: a Eucaristia, tema desta meditação.

São Paulo nos ensina que as realidades visíveis são imagens das invisíveis e sobrenaturais: “Desde a criação do mundo, as perfeições de Deus, o Seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por Suas obras” (Rm 1, 20).

Mas, para ter essa visão do universo, é necessário ser homem espiritual.

Porém a maioria dos judeus tinha uma visão carnal e voltada para a realidade concreta, não podia compreender o que lhes queria dizer Jesus quando falava de um “Pão descido do Céu”, que lhes traria a vida eterna. Para eles, a finalidade única do alimento era sustentar a vida material humana. Seu intelecto dificilmente poderia compreender que ao criar o homem com a necessidade de nutrir-se, Deus tinha em vista a instituição da Sagrada Eucaristia, para poder sustentar, por meio do “Pão descido do Céu”, sua vida sobrenatural.

Oração de petição

Ó Coração Eucarístico de Jesus! Ao deparar-me na leitura do Evangelho de São João com a incredulidade de alguns dos seguidores de Cristo, dai-me a graça de jamais perder o dom da fé, mas, pelo contrário, fazei-o crescer e robustecer-se, para que eu possa compreendê-Lo com olhos sobrenaturais e amá-Lo dignamente. Dai-me a graça da humildade, a fim de que a soberba não me torne cego para as realidades transcendentes do espírito. Pela intercessão de Vossa Mãe Santíssima. Amém.

O alimento favorece a união dos que o partilham

A alimentação, além da finalidade imediata de manter a vida do homem, tem também um importante papel social: o de unir as pessoas. Por exemplo, é em torno da mesa que a família se reúne diariamente e põe em comum, não só os alimentos, mas também os sentimentos, os ideais, o modo de ser e até os problemas caseiros. É à mesa que se desenvolve a conversa e os pais têm uma das melhores ocasiões de ir formando o espírito dos filhos.

O fato de se sentarem todos juntos para fazer a refeição estabelece um especial traço de união entre os membros de uma família, de um grupo de amigos ou de uma comunidade religiosa, que vai além das simples iguarias para valores mais altos. O alimento possui algo que favorece a união daqueles que o partilham. Os vínculos familiares, sociais ou religiosos se fortalecem e a verdadeira amizade se consolida.

É também em torno da mesa que se realizam as comemorações dos pequenos ou grandes fatos da vida.

A morte entrou pelo mau uso do alimento

Mesmo no Paraíso Terrestre, onde o homem tinha os instintos perfeitamente ordenados, é de supor que, se não tivesse havido pecado e a vida se desenvolvesse normalmente, também seria em torno do ato da nutrição que transcorreriam os melhores momentos do convívio social e familiar.

E como o maior dom de Deus à humanidade seria dado sob a forma de alimento, foi através de um alimento que o Criador quis pôr à prova nossos primeiros pais, para depois conceder-lhes tão alta dádiva: “Podes comer do fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, porque no dia em que dele comeres, morrerás indubitavelmente” (Gn 2, 16-17). É esta a forma característica do agir de Deus. Pede uma pequena renúncia para depois dar, em recompensa, uma infinitude.

Pelo ato de comer o fruto proibido, entrou a morte no mundo; por meio do “Pão descido do Céu”, nos foi restituída a Vida: “Quem comer deste Pão viverá eternamente” (Jo 6, 51). O primeiro pecado foi cometido pelo abuso de um alimento, e a salvação eterna nos vem através de outro. A Eucaristia se apresenta como uma resposta, da parte de Deus, ao pecado original, dando aos filhos de Adão infinitamente mais do que haviam perdido: é o próprio Deus que Se oferece em alimento ao homem. Não há possibilidade de um dar-se maior do que na Eucaristia: “E o Pão que Eu darei é a Minha carne para a salvação do mundo” (Jo 6, 51b).

II – Eucaristia e vida eterna

Fonte de vida para a alma e para o corpo

No Evangelho de São João que estamos meditando, Jesus afirma categoricamente que aquele que n’Ele crê tem a vida eterna:“Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em Mim tem a vida eterna” (Jo 6, 47).

Entre os judeus daqueles tempos, a expressão “em verdade, em verdade vos digo” era considerada uma espécie de juramento. É como dizer hoje em dia: “dou minha palavra de honra” para conferir mais veracidade a um testemunho ou declaração. Quando Nosso Senhor queria usar de autoridade em determinada afirmação, iniciava sempre suas frases dessa forma. Em seus escritos, São Cirilo de Alexandria comenta que Cristo sabia que os judeus eram homens rudes e que nem sequer acreditavam plenamente nos profetas; por isso dizia “em verdade, em verdade vos digo”, para forçá-los a crer. (1)

Nosso Senhor também afirma que ao contrário do maná, quem comer o Pão vivo descido do Céu não morrerá, mas viverá eternamente.

Como interpretar corretamente esta passagem? Os que comeram o maná no deserto morreram, como todos os homens, mas também morrem, fisicamente, os que comem o “Pão vivo”.

O célebre padre jesuíta Juan de Maldonado interpreta que a frase de Jesus tem duplo sentido: quando fala do maná, está falando da morte do corpo; já quando fala do “Pão vivo descido do Céu”, afirma que o mesmo dá vida eterna à alma. (2)

Maldonado explica que Jesus usava este tipo de linguagem porque queria elevar os judeus às coisas sobrenaturais, pois eram muito carnais. (3)

Mas o Pão de que fala Nosso Senhor, não dá vida só à alma. Também a dá ao corpo. Por isso Ele afirma: “Eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 54).

“Quando realmente recebemos a Cristo no Sacramento da Eucaristia, Ele põe em nossos corpos uma semente de imortalidade, que depois floresce na ressurreição. Algo muito diferente do que acontece com os corpos dos condenados”. (4)

Por esta razão é que Santo Irineu afirma que assim como o grão de trigo tem uma força germinativa pela qual, lançado à terra, se decompõe e se reproduz, assim também o Corpo de Cristo tem uma eficácia geradora que é comunicada aos nossos corpos. Mesmo que estejam decompostos e reduzidos a pó, nossos corpos ressurgirão, nascendo de novo. (5)

É assim que o “Corpo de Cristo Sacramentado, que recebemos, torna imortal nosso corpo mortal”. (6)

III – A mulher eucarística

Embora o Evangelho não mencione, sabemos pela teologia e pelo Magistério da Igreja que Maria foi a primeira criatura humana a beneficiar-Se da promessa de Nosso Senhor: “Eu o ressuscitarei”. Pois Maria Santíssima foi assunta ao Céu em corpo e alma.

Maria desejou ardentemente a Eucaristia

Ao contrário de muitos seguidores de Cristo, Nossa Senhora nunca duvidou da Eucaristia. Pelo contrário, desejou ardentemente que chegasse o dia no qual Nosso Senhor cumpriria a promessa de dar Sua Carne em alimento e Seu Sangue como bebida. De tal forma, que podemos imaginar o quanto Ela deve ter exultado de alegria ao ouvir o discurso de Jesus na Sinagoga de Cafarnaum, e recordado o inefável convívio místico que tivera com o Verbo Encarnado, durante os nove meses em que Ele permanecera no claustro materno.

O padre Jourdain, teólogo francês, diz que Nosso Senhor instituiu o Sacramento da Eucaristia para toda a Igreja, mas que podemos afirmar sem receio de nos enganar que Ele instituiu principalmente para Nossa Senhora. (7)

Assim como Ela deu Seu consentimento para que Seu Filho Se oferecesse como vítima ao Pai, pela redenção do gênero humano, da mesma forma Ela “deu Seu assentimento ao ato pelo qual Seu Divino Filho Se entregou a nós como vítima, como alimento e como companheiro de exílio nesta vida”, no Sacramento da Eucaristia. (8)

A Igreja é chamada a imitá-la

O Bem-aventurado João Paulo II, na Encíclica Ecclesia de Eucharistia, afirma que “Maria é mulher ‘eucarística’ na totalidade da sua vida”. Por isso, “a Igreja, vendo em Maria o seu modelo, é chamada a imitá-La também na sua relação com este mistério santíssimo”. (9)

No documento, o Pontífice recorda belamente que “De certo modo, Maria praticou a Sua fé eucarística ainda antes de ser instituída a Eucaristia, quando ofereceu o Seu ventre virginal para a encarnação do Verbo de Deus”. (10)

Explica ele que Maria viveu a “dimensão sacrificial da Eucaristia”, não apenas no Calvário, mas ao longo de toda a Sua existência ao lado de Cristo. “Preparando-Se dia a dia para o Calvário, Maria vive uma espécie de ‘Eucaristia antecipada’, dir-se-ia uma ‘comunhão espiritual’ de desejo e oferta, que terá o seu cumprimento na união com o Filho durante a Paixão e manifestar-se-á depois, no período pós-pascal, na Sua participação na Celebração Eucarística, presidida pelos Apóstolos, como ‘memorial’ da Paixão”. (11)

Por isso, viver o memorial da morte de Cristo na Eucaristia implica em receber constantemente Maria como Mãe. “Significa ao mesmo tempo assumir o compromisso de nos conformarmos com Cristo, entrando na escola da Mãe e aceitando a Sua companhia. Maria está presente — com a Igreja e como Mãe da Igreja — em cada uma das Celebrações Eucarísticas. Se Igreja e Eucaristia são um binômio indivisível, o mesmo é preciso afirmar do binômio Maria e Eucaristia”. (12)

Que estas belas e profundas considerações tão eucarísticas e mariais nos ajudem a melhor nos compenetrarmos da sublimidade deste imenso dom de Deus à humanidade e do papel de Maria na devoção eucarística dos fiéis, sejam eles leigos ou sacerdotes.

Oração Final

Oração do Anjo de Portugal

Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o Preciosismo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os Sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.

 

Fontes:
Apostolado do Oratório – Devoção dos Primeiros Sábados
Arautos do Evangelho
São Paulo – SP

 

Obras citadas:

1) MALDONADO, SJ, Juan de. Comentarios a los cuatro Evangelios – Evangelio de San Juan.  Madrid: BAC, 1954, v.III, p.398.

2) Idem, p.405.

3) Idem, p.406.

4) Idem, p.407.

5) Cf. idem, p.408.

6) Cf. idem, p.408.

7) JOURDAIN, Abbé Z.-C. Somme dês grandeurs de Marie – Marie dans la Sainte Église. Paris: Hippolyte Walzer, 1900, p.561.

8) Idem, p.562.

9) JOÃO PAULO II. Ecclesia de Eucharistia, n.53.

10) Idem, n.55.

11) Idem, n.56.

12) Idem, n.57.

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