Meditação 1º Sábado de Setembro de 2012

Coroação de Nossa Senhora pela Santíssima Trindade

Levantai-vos, ó Virgem Rainha, sois digna de eterno esplendor! Subi ao palácio de glória do Cristo Senhor, Rei eterno!

 

Prefácio:

“Hoje, a virgem Maria, Mãe de Deus, foi elevada à glória do Céu. Aurora e esplendor da Igreja triunfante, Ela é consolo e esperança para o povo ainda em caminho…”. (Prefácio: a glória de Maria)

“Ao ser elevada a Virgem das virgens, por Deus e seu Filho, o rei dos reis, em meio a exultação dos Anjos, da alegria dos Arcanjos e das aclamações de todo o Céu, cumpriu-se a profecia do Salmista que diz ao Senhor: “A rainha está à vossa direita com suas vestes de ouro, ornada de esplendor”. (Sl 44, 10)

[Das homilias de Santo Amadeu, Bispo de Lausana, séc. XII].

 

Oração inicial:

Ó minha Mãe, que hoje nos concedeis o dom de estarmos aqui, para desagravar o Vosso Sapiencial e Imaculado Coração; pedimos a graça de estarmos em total união com Vossos pensamentos e desejos. Imploramos também que, retomando os nossos corpos depois da ressurreição final, possamos estar junto a Vós no Céu, para louvar e agradecer por tantos dons e tanta proteção a nós dispensados.

Amém!

 

Saudemos Nossa Senhora, rezando:

Salve Rainha, Mãe de misericórdia…

 

I – Os últimos dias de Maria nesta vida:

A Assunção foi a festa de todos os gáudios e de todas as alegrias, a festa do dia em que Nossa Senhora, ressurrecta, foi levada aos Céus em corpo e alma, terá sido a maior celebração realizada no Paraíso, depois dos esplendores retumbantes da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Maria Santíssima, a obra-prima da mera criação ocupará seu lugar ao lado do trono de seu Divino Filho.

Pode-se imaginar que, nesse instante, todas as gloriosas perfeições da Mãe de Deus brilharam de modo ímpar: a bondade imensurável, a suavidade, a soberania, o domínio, o atrativo, a virginal firmeza, tudo se manifestou de maneira fulgurante, isteriosamente reluzindo e se acentuando, acentuando-se e reluzindo, para maravilhamento dos Anjos e dos bem-aventurados que então A contemplavam na eternidade…

Alegremo-nos com sua incomparável felicidade, exultemos por seu merecido triunfo, ao contemplar este mistério de glória de Sua Assunção ao Céu!

E, à medida que vai se elevando ao Céu, uma claridade especial se espalha, todos sentem-se mais atraídos por Ela … digamos portanto:

 

Glória a Vós, imperatriz do Céu! Conduzi-nos convosco aos gozos do Paraíso! Pequena Coroa da Santíssima Virgem.

1 – Os santos desejos das coisas celestes

Quando rezamos o Pai-Nosso dizemos a Deus: “Venha a nós o vosso Reino”!, a fim de elevarmos para cima as nossas esperanças, a meta das nossas vidas, ou seja, eternamente gozar da deliciosa companhia dos santos (Patriarcas, Profetas, Apóstolos, Mártires, Confessores, Virgens); Anjos, Serafins,… nosso Anjo da Guarda, para o qual damos tanto trabalho, terem sobretudo a companhia de Nossa Senhora e de Nosso Senhor que prometeu (Gn 15, 1):

 

“Serei a vossa recompensa demasiadamente grande”!

 

Oh! De quantas graças nos privamos, quando nos esquecemos do Céu! Assim, toda desilusão, decepção e contradição, penalidades e enfermidades, etc., pagas magnificamente para a alma cheia de santos desejos do Céu; pois dirá:

“Eu padeço, é verdade, mas que é isto em comparação da felicidade que me espera?”.

Aqui caberia um ponto de reflexão: Mas, o que fiz hoje para ganhar o Céu?

Se sou esposa, que atitude tomei para com meu esposo, os filhos? Se sou o esposo, que atitude tomei para com a minha esposa, meus filhos, empregados, patrão?

Que atitude tomo em minha vida social, nos meus negócios? Na vida de todos os dias o que faço para alcançar o Céu? E volto-me para Nossa Senhora, peço que me ajude.

Oração:

Minha Mãe, Vos que estais de corpo e alma no céu Vos imploro, vinde e derramai Vossas bênçãos, Vossa proteção, para que eu também possa um dia estar, de corpo e alma, junto a Vós, amando-Vos, glorificando-Vos, cantando hinos de louvor a Vós por toda a eternidade.

Amém. (4)

A entrada da Santíssima Virgem no Céu deve ter sido algo apoteótico: a Santíssima Trindade, dando-lhe o trono de glória que Lhe preparou, coroa a sua fronte com uma tríplice coroa real; saudemos Maria:

 

Possuís, ó Virgem Santíssima, tantos privilégios quantas são as estrelas no Céu. Pequena Coroa da Santíssima Virgem.

 

II – Realeza de Maria

 

1 – Origem:

 “A realeza de Maria não é uma invenção da piedade cristã. Não nasceu da imaginação dos nossos antepassados; não se trata de enriquecer a devoção a Maria, com uma coroa e um cetro que não lhe pertencem.

O Espírito Santo mesmo proclamou sua alta dignidade, celebrando pelos lábios do rei David; o qual nos mostra antecipadamente o que o seu culto deveria ser de solene e real: mostra-nos as filhas dos reis da terra oferecendo presentes à sua Rainha e formando em torno dela um cortejo de honra (Sl 44, 10).

Davi contemplou a Virgem assentada sobre um trono deslumbrante, resplandecente de majestade. Salomão nos faz admirá-la sob as mais doces aparências; pinta sua união mística com o Rei criador do universo. O perfume de suas virtudes atrai o Senhor e Ele a coroa de glória, pois está no mundo corrompido como o lírio entre os espinhos”. (3)

Por que Maria Santíssima é honrada com o título glorioso de Rainha?

Nossa Senhora Rainha é um título que exprime o seguinte fato. Sendo Ela Mãe da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade e Esposa da Terceira Pessoa, Deus, para honrá-La, deu-Lhe o império sobre o universo: todos os Anjos e os Santos, todos os homens vivos, todas as almas do Purgatório; todos os réprobos no inferno e os demônios obedecem à Santíssima Virgem. De sorte que há uma mediação de poder, e não apenas de graça, pela qual Deus quer realizar a sua soberana vontade por intermédio de sua Mãe.

Maria não é sempre o canal por onde o império de Deus passa, mas é também a Rainha que decide por uma vontade própria, consoante com os desígnios do Rei.

Nossa Senhora é uma obra-prima do que poderíamos chamar a habilidade de Deus para mostrar a sua misericórdia em relação aos homens. (2)

Santo Afonso de Ligório, iniciando seus piedosos comentários sobre a Salve Rainha, escreveu:

“Desde o momento em que Maria aceitou ser Mãe do Verbo Eterno, diz São Bernardino de Siena, mereceu tornar-se Rainha do mundo e de todas as criaturas; por isso deve julgar-se que a glória do reino não só é comum entre a Mãe e o Filho, mas também que é a mesma para ambos.

“Se Jesus é Rei do universo, do universo também é Maria Rainha, escreve Roberto abade”. (1)

 

Ave Maria, Senhora do Mundo, a quem foi dado todo o poder no Céu e na Terra! São João Eudes

 

2 – A glorificação de Maria:

 Esta glória, só Deu a poderia explicar: “Se os olhos humanos nunca viram, diz São Bernardo (Sermão 2, In Assumpt), se o ouvido nunca percebeu, se o coração nunca sentiu, o que Deus preparou para quem o ama (I Cor 2, 9), quem se atreverá a falar do que Deus preparou para sua Mãe, a quem ama sem comparação mais do que a todos os outros seres?”.

Quem poderá imaginar a alegria dos bem-aventurados, suas aclamações, reverências e ufania por terem a Mãe de Deus, como sua Senhora e Mãe? Os Patriarcas e Profetas recebem-na em triunfo, todos os coros dos Anjos com demonstrações de júbilo, proclamam-na sua Rainha.

Deus, que tanto exaltou a Maria no Céu, quis que sua glorificação também tivesse seu esplendor na Terra. Ele pôs em suas mãos o cetro da misericórdia, como vemos nas imagens de Maria Auxiliadora.

“Toda a Terra está cheia de sua glória, particularmente entre os cristãos, que a tomam como padroeira e protetora em muitos países, províncias, dioceses e cidades. Inúmeras catedrais são consagradas sob a invocação do seu nome. Igreja alguma se encontra sem um altar em sua honra; não há região ou país que não possua alguma de suas imagens milagrosas, junto das quais todos os males são curados e se obtêm todos os bens.

Quantas ordens religiosas, institutos, confrarias, e quantos fiéis a entoar os seus louvores, a anunciar as suas maravilhas! Não há criancinha que, balbuciando a Ave-Maria, não a louve; mesmo os pecadores, os mais endurecidos, conservam sempre uma centelha de confiança em Maria. Dos próprios demônios no inferno, não há um que não a respeite, embora temendo”. (5)

 

3 – O trono de glória de Maria:

Seus privilégios: Deus, Nosso Senhor, coroando sua Mãe como Rainha do Céu e da Terra, deu-lhe todo poder junto a si e estabeleceu-a tesoureira e dispensadora de suas graças, dos méritos de Jesus Cristo e dos dons do Espírito Santo.

Encontramos em Maria não só uma Rainha rica em poder, tesouros e generosidade, mais ainda uma Mãe sempre pronta a auxiliar-nos, disposta a compadecerse e a perdoar, e que, longe de repelir as nossas misérias, procura de preferência os mais miseráveis para aliviá-los. Somos, dia e noite, o objeto de sua solicitude e amorosas atenções.

Nestas circunstâncias, devemos-lhe a mais viva gratidão; e o testemunho de gratidão que mais lhe agrada é a fidelidade em corresponder a seus favores e graças.

Elevemos também nosso louvor em ação de graças, encerrando nossa meditação.

 

Oração:

Ó minha Mãe e minha Rainha, eu vos saúdo nesse oceano de glória, reinai sobre nós, aumentando sempre mais os desejos dos nossos corações de chegarmos ao Céu.

Auxiliai-nos nas lutas da vida para que perseveremos até o fim. Lançai do vosso trono  de glória um olhar de misericórdia sobre nós e socorrei-nos, pois nos alegramos imensamente com vosso maravilhoso triunfo de louvor, para sempre na glória.

Amém.

 

Que venha o Reino de Maria, para que assim venha o Reino de Jesus Cristo! São Luís Maria Grignion de Montfort

 

 “Então, apareceu no Céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, e sobre a cabeça uma coroa de 12 estrelas” (Ap 12, 1).

 

PS: Importância desta meditação…

 

O papa Pio XII proclamou o dogma da Assunção ao Céu, da Bem-Aventurada Virgem Maria (1950), com o objetivo específico de primeiro dar glória a nossa Mãe Santíssima, mas também de colocar diante de nossos olhos a viva esperança do Céu.

Deus quer que nos esforcemos, praticando as virtudes. Mas vamos encontrar pelo caminho os adversários de nossa salvação; vamos ter de lutar contra as nossas paixões desordenadas… Quantos obstáculos! Por isso além de nossas orações e sacrifícios é preciso pensar continuamente nas coisas celestiais.

Em nossa vida cotidiana pensar no Céu é fundamental, pois é pensando nele que teremos forças para praticar as virtudes e esperar o prêmio que nos aguarda depois de termos lutado o bom combate desta vida. Só perseveraremos se nossa atenção estiver voltada continuamente para o Céu. (4)

 

Obras citadas:

(1) Glórias de Maria. S. Afonso de Ligório, Ed. Santuário, 1987, p.35/ 343-5.

(2) Pequeno Ofício da Imaculada Conceição – Comentado. Mons. João S. Clá Dias – Artpress – Set.1997, p.45.

(3) Breviário de Maria – D. Antônio de Almeida Moraes Jr., Ed. Paulinas, 2.ed., p.95/ 96.

(4) Meditação de Mons. João Clá Dias, Catedral da Sé de São Paulo, 2/10/2004, sem revisão do autor.

(5) Tratado da Verdadeira Devoção à Ssma. Virgem. S. Luís Maria Grignion de Montfort – Ed. Vozes, p.21/22.

 

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