Meditação 1º Sábado de Agosto de 2012

A Assunção de Maria Santíssima aos Céus

 

Levantai-vos, ó Virgem Rainha, sois digna de eterno esplendor!

Subi ao palácio de glória do Cristo Senhor, Rei eterno!

Introdução

Após a subida de Jesus aos Céus, Maria devia ainda passar muitos anos sobre a Terra. Sem a presença visível de seu Filho, Maria deve exercer junto a Igreja nascente o papel de Mãe, que lhe havia confiado o Salvador. (1)

Desde então Maria realiza plenamente a sua missão maternal…

A separação de Jesus lhe pesou terrivelmente. Mas Ela encontrava na comunhão diária um lenitivo para minorar as saudades que tinha d’Ele! Sua Fé vivíssima A fazia reencontrar, sob as aparências do pão, o Corpo que ela formara, que alimentara, que tinha visto sofrer e morrer por nós.

Maria, entretanto sentia pressa de rever face a face o Filho que tanto amava. Quanto mais se prolongava o seu exílio, mais aumentava o ardor dos seus desejos.

Soou, por fim a hora bendita, hora da alegria e do triunfo, em que o Divino Mestre veio buscá-la para coroá-la nos Céus. (1) A Santa Mãe de Deus, por singular privilégio, SUBIU AOS CÉUS em CORPO E ALMA. É o mistério da Assunção da puríssima Virgem Maria a nos convidar:

               “Feliz quem segue os meus caminhos…” (Pr 8, 32).

Oração inicial:

Ó minha Mãe, que hoje nos concedeis o dom de estarmos aqui, para desagravar o Vosso Sapiencial e Imaculado Coração a Vos pedimos a graça de estarmos em total união com Vossos pensamentos e desejos. Imploramos também que, possamos estar junto de Vós no céu, para louvar e agradecer tantos dons e tanta proteção que continuamente nos dispensais ao longo desta vida terrena.

                     Ave Maria…

I – Os Últimos dias de Maria nesta vida

 

Quando meditamos atentamente nos privilégios dessa Rainha incomparável, perguntamos com espanto: Por que Deus a fez morrer?

A lei que condenava a humanidade culpada ao mais terrível dos castigos temporais (a morte) não A podia atingir, pois Ela foi concebida sem pecado.

Por outro lado, esse corpo virginal que havia carregado, durante longos meses, a Vida Eterna, não teria podido haurir nesse contato divino, uma radiosa imortalidade? (1).

Maria não precisava morrer, porque era Imaculada. Sendo a morte, castigo do pecado original, Ela estava livre dessa culpa, desde o primeiro instante de sua existência.

Mas, intimamente associada à obra da Redenção, convinha-lhe a morte e com alegria a aceitou; antes, como diz S. Francisco de Sales “sempre a desejou, desde que a viu nos braços e no próprio coração de seu Filho”. À imitação de Jesus, ela aceitou livremente a morte em humilde obediência a Deus.

Deus concedeu a Maria tão grande poder sobre os demônios, que, como muitas vezes se viram obrigados a confessar, pela boca dos possessos, infunde-lhes mais temor um só de seus suspiros por uma alma, que as orações de todos os santos; e uma só de suas ameaças que todos os outros tormentos.

               O que Lúcifer perdeu por orgulho, ganhou Maria por humildade. O que Eva condenou e perdeu pela desobediência, salvou-o Maria pela obediência. Eva, obedecendo à serpente, perdeu consigo todos os seus filhos e os entregou ao poder infernal; Maria, por sua perfeita fidelidade a Deus, salvou consigo todos os seus filhos e servos e os consagrou a Deus.

1 – Um caminho que todos percorreremos

Convinha que assim fosse. O Salvador nos mostrou o caminho, que devemos todos percorrer, a exemplo d’Ele. Deus queria também que Maria Santíssima percorresse esse caminho, mas atenuasse para nós, com seu exemplo, as angústias da terrível passagem pela morte. Ora, a morte chama-se trânsito, porque por ela se passa de uma vida breve a uma vida eterna.

Então, podemos perguntar: ao passar desta vida… Como morreu Nossa Senhora?

Que júbilo sentiu a Divina Mãe na sua morte? Esta consiste exatamente nisto: a alma se separa do corpo. Assim, sua alma entrou imediatamente na visão beatífica, vendo a Deus face a face, no próprio ato de seu falecimento. Tornou-se incandescente de glória!

A Imaculada Virgem Maria nunca cometeu a menor falta, sua alma santíssima jamais foi manchada. Dores físicas, doenças, velhice… não se podem admitir em Maria. A Virgem Imaculada teve morte sem dor; assim pensa o comum dos teólogos. (2).

Em linguagem piedosa, dá-se o nome de “dormição” ao passamento de Maria Santíssima, a fim de significar que sua morte foi como um doce e aprazível sono. Assemelhou-se ao sono tranquilo de uma criança que adormece no berço, no mais suave e plácido sono… (1).

Ponto de reflexão

O pensamento da morte nos aterroriza. A lembrança de nossas faltas nos assusta! Como nos receberá o temível Juiz? A perspectiva da separação suprema nos dilacera. Será necessário deixar os corações amados, que tantos vínculos unem estreitamente a nós. E trememos pensando na morte terrível que virá um dia nos surpreender.

Se nossa Fé fosse maior, encontraríamos nos dogmas de nossa Religião, consolações preciosas. Santa Teresa rezava, com transportes de reconhecimento:

-creio na comunhão dos santos, na ressurreição da carne, na vida eterna!

Estas verdades nos devem impregnar de paz; como cristãos não podemos temer a morte, possuindo certezas tão absolutas.

Então, supliquemos a Santíssima Virgem que nos ilumine com seu exemplo, fazendo-nos compreender e amar a misericórdia do Coração de Jesus. (1)

2 – Como Deus chama Nossa Senhora a Si?

A História não nos relatou as circunstâncias e a data, contudo tradições veneráveis nos oferecem alguns dados: o Anjo Gabriel que A havia saudado: Ave cheia de graça!, visitou-A novamente encontrando-a em terra, pedindo misericórdia para os pecadores; saudou-a com uma “Ave-Maria” e lhe anunciou a notícia de sua próxima partida: uma alegria maravilhosa inundou a alma de Maria.

A vida de Nossa Senhora foi uma sucessão ininterrupta de prodígios. Era por um milagre que Deus a retinha sobre a Terra. O amor do Filho, que A devorava, o desejo de unir-se a Ele, que A consumia, minavam suas forças. Era preciso que uma força toda poderosa a sustentasse. Quando chegou para ela o momento de receber a eterna recompensa, o Altíssimo não teve senão que suprimir essa força misteriosa.

Os Apóstolos, que circunstâncias providenciais haviam reunido em Jerusalém, cercavam o leito em que adormecia a Mãe de todos eles. E ela os abençoou com toda ternura e prometeu-lhes proteção extremosa. (1)

Havia realizado sua missão. A partir dai, suas forças declinaram rapidamente, os seus olhos serraram-se docemente. Sua alma gloriosa já podia desprender-se, levantar o vôo triunfal… Então, o ardor de sua imensa caridade elevou a Virgem Puríssima e sua alma Santíssima voou para os Céus com as asas de seu amor.

Santo Ildefonso escreveu: “Os santos morreram no amor, só Maria é que morreu de Amor”.

Oração

Ó minha Mãe e minha Rainha, eu vos saúdo nesse oceano de glória, nesse grande dia; reinai sobre nós, levantando bem alto os desejos dos nossos corações. Lançai do vosso trono de glória um olhar de misericórdia, abençoai-nos e socorrei-nos, pois nos alegramos com o vosso admirável triunfo de louvor para sempre na glória. Amém. (2)

II – A Ressurreição e Assunção de Nossa Senhora

Naquele tempo, Isabel ficou repleta do Espírito Santo e exclamou em alta voz: bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do seu Ventre!”(Lc 1, 41-42).

Disse então Maria: “a minha alma glorifica ao Senhor… chamar-me-ão Bem-Aventurada todas as nações, porque me fez grandes coisas aquele que é poderoso”.

Vencedor da morte, Jesus não podia permitir que sua Mãe admirável, a qual não conhecera pecado algum, fosse sujeita a corrupção. Eis que a morte de Maria foi um breve sono. Como poderia a corrupção ousar atacar a carne virginal da qual tinha querido nascer para o tempo a Pureza Eterna e Incorruptível? (2).

Tal é a lei posta por Deus: quem se humilha na Terra, será exaltado no Céu (Mt 23, 12). Ora, Maria humilhou-se mais do que todas as criaturas. Devia, portanto ser elevada acima de todos, pois que se tinha colocado abaixo delas. Foi o que Deus fez no dia da Assunção de Maria, ou seja, a ressurreição do seu puríssimo corpo. (3)

O Deus feito homem não tardou em ressuscitar a sua Mãe revestindo-A de uma glória sem par!

                              Levanta-te Mãe amada, levanta-te!

                                              Vem e serás coroada. (Ct 2, 10).

Conta uma antiga lenda, que remonta os primeiros séculos do cristianismo, que alguns dias após a morte de Maria, os Apóstolos desolados por haverem perdido sua Mãe e Mestra, quiseram contemplar-lhe pela última vez os restos mortais benditos. Foram visitá-La em seu túmulo. Retiraram a grande laje que fechava a entrada e penetraram na gruta sepulcral. O corpo da Imaculada não estava mais lá. Sobre a pedra, na qual A haviam colocado não encontraram senão flores frescamente desabrochadas. Um perfume de suave odor dali se exalava, o que os fez rejubilar deliciosamente e os reconfortou. (1)

Uma das qualidades do corpo glorioso é a agilidade, em virtude da qual ele pode se transladar com a velocidade do pensamento para onde queira. O que agora fazemos com o pensamento, faremos com nossos corpos glorificados.

Desta forma Maria Santíssima se transladou ao Céu por sua própria agilidade, sem necessidade de nenhum auxílio. Iam com Ela todos os Anjos do Céu! Fazendo-Lhe guarda de honra, pois de ajuda não necessitava.

Assim se exprime São Bernardo:

“Com razão Maria nos é apresentada como uma mulher vestida de sol”. Sem dúvida coberta de luz, como de um vestido. Para o homem sensual, isto não passa de uma leviandade, já que não é capaz de compreender as coisas espirituais. Não pensava assim o Apóstolo, que dizia: “Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo” (Rm 12, 14).

Quão familiar d’Ele fostes criada, Senhora! Quão próxima, quão íntima [d’Ele] merecestes ser criada! Quanta graça achastes diante de Deus!

Ele está em Vós e Vós, n’Ele: a Ele vestis e por Ele sois vestida. Vós O vestis com a substância da carne e Ele Vos veste com a glória de sua majestade. Vestis o sol com uma nuvem, e Vós mesma sois vestida de sol”.

Então, dizemos ter Maria, nossa Mãe, subido com sua própria força, porque a partir do momento em que se entra na visão de Deus, a alma unindo-se ao corpo, este se torna glorioso. É uma consequência inevitável. A glória do corpo vem da glória da alma, pois a alma é a forma do corpo, explica a teologia. Por isso, quando a alma é virtuosa, bela, esta reflete no corpo suas qualidades.

O Pe. Manuel Bernardes comenta para a festa da Assunção de Nossa Senhora: “Maria Santíssima está toda vestida de Deus, subindo ao Céu! Seu coração está todo vestido de Deus, porque nele, derramou Deus sua bondade”.

A entrada da Santíssima Virgem no Céu deve ter sido algo apoteótica: Deus, dando-lhe o trono de glória que Lhe preparou, coroa a sua fronte com um diadema real; saudemos Maria:

Glória a vós, ó imperatriz do Céu! Conduzi-nos convosco aos gozos do Paraíso!

Subindo ao Céu, nossa Mãe lança um apelo. A nossa Mãe celeste como que interrompe sua subida ao Céu para nos dizer:

“Meu filho, minha filha, eu vou preparar-vos um lugar na casa de meu Pai. Contemplemos essa morada”.

Ora, estar com os olhos postos no paraíso é fundamental nos dias de hoje, pois são dias cheios de iniquidade, ambições, vinganças, etc., e elevar os nossos pensamentos para o alto, trás para nós o consolo, o afeto de Nossa Senhora e lá de cima Ela está nos olhando e nos estimulando.

Mas, o que fiz hoje para ir para o Céu? Se sou esposa, que atitude tomei para com meu esposo, os filhos? Se sou o esposo, que atitude tomei para com a minha esposa, meus filhos, empregados, patrão? Que atitude tomo em minha vida social, nos meus negócios? Na vida de todos os dias o que faço para alcançar o Céu?

E volto-me para Nossa Senhora, peço que me ajude.

Oração Final:

Minha Mãe, Vos que estais de corpo e alma no Céu Vos imploro, vinde e derramai Vossas bênçãos, Vossa proteção, para que eu também possa um dia estar, de corpo e alma, junto a Vós, amando-Vos, glorificando-Vos, cantando hinos de louvor a Vós por toda a eternidade. Amém. (4)

Obras citadas

(1) A Virgem Maria – Pe. Thomas de Saint-Laurent (Arpress – 1996) / (2) Meditações dos Primeiros Sábados – Pe. Antônio de Almeida Fazenda, S. J. (Braga ) / (3) Meditações – M. Hamon (Lello & Irmãos Editores – Porto) / (4) Meditação do Mons. João Clá Dias, Catedral da Sé de São Paulo, 2/10/2004, sem revisão do autor.

 

 

 

                                

 Fonte:

“Apostolado do Oratório – Devoção dos Primeiros Sábados”
Sede do Apostolado do Oratório
Rua Francisca Júlia, 182 – CEP 02403-010 – São Paulo/SP
Telefone: (11) 2239-7216 / Fax: (11) 2973-9477

 

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