Meditação 1º Sábado de Abril de 2012

A Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo

Introdução:

Hoje, nossa meditação reparadora celebra o Tríduo Pascal.

Unidos ao Imaculado Coração de Maria, transpassado pela espada da dor, previsto pelo profeta Simeão, contemplemos o momento mais trágico que houve e haverá na existência da humanidade. Naquela hora, Nossa Senhora permaneceu fiel; não se entregou, não fraquejou, não traiu, não recuou. E continuou de pé como uma tocha de oração e de esperança.

Maria permanecia ereta, em toda a força de seu corpo e de seu espírito, com os olhos inundados de lágrimas, mas com o coração inundado de luz. Possuía a Fé inabalável, a certeza inamovível de que, após a grande tragédia, depois do abandono geral, viria a aurora da Ressurreição, viria o alvorecer da Igreja Católica, radiante de glória a partir de Pentecostes. E de que o mundo chegaria um dia à realização completa da profecia feita por Ela em Fátima: Por fim o meu Imaculado Coração Triunfará!

Peçamos graças especiais a Nossa Senhora antes desta meditação, voltando-nos para Ela, que deve ter tido um gáudio todo especial, uma alegria extraordinária, deve ter recebido com verdadeiro frêmito de emoção a notícia da Ressurreição de Nosso Senhor.

Ave Maria, cheia de graça…

Composição de lugar:

Vamos compor o lugar referente ao primeiro mistério glorioso: A Ressurreição de Nosso Senhor.

Estamos no Santo Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo, vamos observar com a imaginação a pedra que fechava a entrada do túmulo. Pois bem, esta pedra foi por força divina, lançada longe. Os soldados que ali estavam por ordem dos judeus, para guardar o corpo Dele e impedir que fosse roubado, esses guardas desmaiaram.

Vamos imaginar o corpo de Nosso Senhor desaparecido, já não está mais no sepulcro, ali só ficou o sudário que envolvia o Seu corpo, portanto o túmulo estava vazio.

Coração de Maria, restituído à alegria pela Ressurreição de Jesus! Rogai por nós!

Oração inicial:

Oh Mãe do divino Redentor no Calvário onde Ele morria, oh Mãe de Cristo ressurrecto, de Jesus ressuscitado no túmulo, mas também ressuscitado no Vosso coração; sentistes neste momento uma alegria insuperável, uma alegria insondável, a maior alegria que houve na ordem da criação, esta Vós a tivestes quando Jesus ressuscitou.

Oh Mãe! Estamos aqui para, diante de Vós, fazermos esta meditação reparadora do Vosso Sapiencial e Imaculado coração por tantos crimes, por tantos pecados, por tantos horrores que se cometem em nossos dias. Aqui estamos nós querendo contemplar o que foi a Vossa grande alegria no momento da Ressurreição. Dai-nos, oh! Mãe, graças especialíssimas para que nós também sintamos em nosso interior algo dessa alegria, que tenhamos uma experiência mística dessa Ressurreição de Jesus, para que assim também

nós, estejamos cheios do gáudio que tivestes, que a nossa alegria seja uma continuação da Vossa e que haja em nossos corações, uma alegria proporcional à Vossa e que assim tenhamos forças para bem fazer esta meditação e também para bem levarmos a vida de cristão, segundo o chamado de nosso Batismo”.

Assim seja!

I – O ardor de Santa Maria Madalena

“No primeiro dia da semana foi Maria Madalena ao sepulcro, de manhã, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro. Correu, pois, e foi ter com Simão Pedro e com outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram” (Jo 20, 1-2).

Logo no primeiro momento que ela pôde, porque estava proibido segundo a lei de Moisés, dar mais de duzentos passos. Ela estava aflita esperando que o sábado passasse para poder ir ao túmulo onde estava o corpo de Jesus. Ela O amava tanto que queria vê-Lo ainda que morto e estava disposta a enfrentar a madrugada, pois, está dito no Evangelho — de manhã cedo — quando ainda estava escuro. Ela partiu e não esperou a clarear do dia. Assim devemos ser nós. Quantas vezes temos uma moção interior da graça para procurar Nosso Senhor no Tabernáculo, para entrar em uma igreja, rezar um pouco, parar por um momento nossas atividades e nos dirigir a Deus e nos vem ao pensamento: Não, neste momento não estou sentindo nada, não me sinto propenso… Era escuro, madrugada, era arriscado uma dama naquela circunstância sair pelas ruas, tudo indicava que não era prudente ir ao sepulcro naquela hora. Contudo, ela o faz, e faz porque está tomada de entusiasmo, de ardor, está tomada de devoção. Exemplo para nós…

“Viu a pedra tirada do sepulcro”; ela se deu conta que ali havia se passado algo, a pedra foi parar longe, o próprio trilho em que corria a pedra foi arrancado. Ela o que fez? Terá voltado para casa? Quantas vezes encontramos pela nossa vida fatos sobrenaturais impressionantes e ao invés de pararmos para considerá-los e nos colocar imediatamente em oração, não fazemos como Santa Maria Madalena que correu, ela podia ter caminhado pelas ruas, não, ela correu.

No sábado, ela não podia se movimentar muito porque era dia do Senhor, e ela era obrigada a guardar o sábado, ela não podia ficar fazendo grandes caminhadas. Mas assim que terminou o sábado e que começou a madrugada, ela aflita, ansiosa, se movimentou em direção ao túmulo. E, quando lá chegou, viu o túmulo aberto e vazio.

Ela, que ao se aproximar do túmulo não sabia como fazer para tirar aquela laje enorme que o fechava, entretanto, quando ela chega ao túmulo, a laje estava no chão e ela olha e não vê nada lá dentro. Corre para avisar São Pedro e São João. Com seu ardor sem medidas, Madalena contagiou os Apóstolos, e eles, se associaram nos mesmos sentimentos de amor, temor e esperança, partem cheios de ânimo. Ambos correm ao Santo Sepulcro.

1 – Maria Madalena: Arauto da boa nova da Ressurreição!

Por uma determinação divina, a pregação do Evangelho desde seu nascedouro compete aos homens.

Entretanto, a História registra algumas poucas, mas comovedoras, exceções como essa contida no seguinte versículo: (Jo 20, 1-2).

Vemos acima a solicitude extraordinária de Santa Maria Madalena, a diligência com que ela corre ao túmulo para tentar embalsamar um pouco mais, para perfumar ainda mais o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo. Trata-se da primeira e fundamental verdade do Evangelho; para comunicá-la aos Apóstolos, Deus não escolhe um Anjo e nem sequer um homem. É a Madalena (alma piedosa, cheia de fogo, entusiasmada), que será o arauto da boa nova da Ressurreição do Senhor.

Terminemos esta meditação e peçamos a Nossa Senhora graças sobre graças para dela tirarmos todo o proveito. Depois dela ter visto o milagre, por ter senso de hierarquia, foi avisar ao Chefe da Igreja, o Papa. “Foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava”. Ela escolheu bem as duas pessoas: Um era o Chefe, o outro o mais amado, São João; um era o que mais amava o outro era o mais amado. “… e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram”.

É bem a situação de quem não tinha ouvido dizer que Nosso Senhor ressuscitaria ao terceiro dia. Se ela soubesse da Ressurreição ela certamente acreditaria, mas a ela não foi dada esta notícia, porque Deus queria esta atitude de alma e consequentemente os méritos, o mérito de estar aflita, procurando com sofreguidão, com emoção. Assim devemos ser nós, e por isso voltarmos sempre a Nossa Senhora e pedirmos a Ela este estado de espírito:

Oração:

Oh Mãe! Vós quando soubestes da atitude de Santa Maria Madalena, ficastes alegre, porque era bem o que passava em Vosso coração, Vós queríeis encontrar o Vosso Divino Filho o quanto antes, e se Vós não vos movestes de vossa casa foi porque o próprio Jesus Vos apareceu de uma maneira primordial, as primícias da Ressurreição devem ter se dado convosco Senhora.

Minha Mãe, vendo eu este exemplo de Santa Maria Madalena, nós Vos pedimos:

Dai-nos a graça de sempre procurar Jesus ainda que eu esteja na aridez, porque o símbolo da morte está exatamente na aridez, naquela hora em que não sentimos nada no coração, no entanto, saímos às pressas e com toda a ênfase à procura de Jesus.

Mãe Santíssima, dai-nos a graça de sermos sôfregos deste convívio com Vosso Filho. Vós sois o canal mais seguro, mais fácil, mais eficaz, que nos leva a união com Nosso Senhor. Dai-nos esta graça, oh Mãe, e que tenhamos um ardor ainda mais redobrado de que o teve Santa Maria Madalena à procura de nosso Redentor.

II – O esplendor da glória de Cristo ressurrecto

O apóstolo São João é o primeiro a crer, mas Santa Maria Madalena foi a primeiraa ver (com exceção talvez de Nossa Senhora). São João era o mais amado e a ele foi dado a Fé. Bem-aventurado os que creem sem ter visto; ele não viu, mas creu. Santa Maria Madalena não sabia que Jesus ressuscitaria ao terceiro dia, mas apesar disso, ela não abandonou o sepulcro, e lá foi à procura do Mestre. Quem procura, encontra sobretudo, quando se trata de Nosso Senhor, ela insistiu e encontrou, Jesus apareceu a ela, e com isso teve o privilégio de ser o primeiro arauto do Evangelho. Santa Maria Madalena anunciou aos discípulos que o Senhor tinha ressuscitado e contou-lhes o que Ele tinha dito. Ela foi, portanto, o primeiro arauto do Evangelho, pois, vai contar para os Apóstolos — que eram os que deviam pregar o Evangelho — aquele fenômeno extraordinário, aquele milagre espetacular que foi a Ressurreição de Jesus.

Vamos considerar agora a beleza de Nosso Senhor ressuscitando a Si próprio.

Não foi Deus Pai, não foi o Espírito Santo que o ressuscitou. Sendo Ele a Segunda Pessoa da SS. Trindade se autorressuscitou. É um poder extraordinário, Divino. É tão importante esta Ressurreição que São Paulo chega a dizer em sua epístola aos Coríntios, que, se Nosso Senhor não tivesse ressuscitado, nossa fé seria vã, seu apostolado seria vão, não teria sentido. Ele ressuscita com o seu corpo glorioso, pois, tinha suspendido para si esta lei, pela qual, a alma estando na glória, o corpo deve ser também glorioso.

Como a Sua alma foi criada na glória, Seu corpo deveria ser também glorioso desde o momento da geração, no seio virginal de Nossa Senhora. Contudo, Ele quis suspender essa lei para ter a possibilidade de sofrer, pois queria reparar o pecado cometido pelo homem. Daí então a suspensão da lei que mantém a relação entre o estado da alma e o estado do corpo. Sua alma na glória, Seu corpo padecente, Ele quis padecer por nós.

Compreensível é, que a partir do momento que ressuscitou, a alma que já estava na glória desde o momento da criação, o Seu corpo também ressurgisse glorioso. E enquanto corpo glorioso, entrava onde Nosso Senhor queria, passava por onde Ele queria, comia, bebia, deixava-se tocar, ou não se deixava tocar, aparecia, desaparecia, não havia para Ele nenhum obstáculo. O Corpo de Jesus ressuscitado tinha todas as propriedades do corpo glorioso, e é com base nisso, que os teólogos estudam quais seriam as características dos corpos gloriosos, após a ressurreição.

1 – Como ressuscitarão os nossos corpos?

A Ressurreição de Cristo, que é o tema de nossa meditação, e será também a causa de nossa ressurreição. Nós vamos ressuscitar porque Ele ressuscitou, pois sendo Jesus a cabeça do corpo místico, foi Ele o primeiro a iniciar esta enorme sequência de ressurreições que se darão no fim do mundo. Entretanto, a ressurreição que é uma revelação do futuro, é selada pelo Magistério infalível da Igreja, pelos Papas, essa ressurreição é para todos os seres humanos. Portanto, no dia do juízo final os bons estarão à direita e os maus à esquerda.

Outro dogma de Fé: o inferno; também outro dogma de Fé: o Céu. Nós estamos na meditação de hoje diante dos últimos acontecimentos da História da Criação: juízo…, inferno…, Paraíso… Este mistério do santo Rosário nos coloca diante da perspectiva do fim do mundo, diante da perspectiva do dia em que seremos julgados. Neste dia estaremos à direita, ou à esquerda?

Quem ressuscitar à esquerda o que acontecerá? Será imortal, ou seja, não morrerá nunca mais, terá a posse da integridade; se perdeu uma perna, se perdeu um braço ou uma orelha, no dia do juízo ressuscitará íntegro. Só que, com toda a feiúra característica, pois, a alma estando condenada, o corpo ressurgirá com uma fisionomia horrorosa. Não haverá nenhum espelho, não haverá nenhum cosmético, não haverá nenhum pente que possa tirar o desgrenhado do cabelo. Nós ressuscitaremos com os nossos cabelos tais quais na nossa vida nesta Terra, e se alguém teve algum problema de perda de cabelos, ou qualquer outra coisa que seja, no dia do juízo ressuscitará íntegro. Mas estando a alma condenada, a feiura será tremenda.

2 – Um instituto de feiura…

Ninguém, mas ninguém, quereria frequentar na Terra um instituto de feiura, seria o suicídio em matéria financeira, seria um comércio desastroso, porque não haveria ninguém que quisesse entrar em um instituto desses. Pois bem, existe um instituto de feiura terrível, que é eterno, que se chama inferno…

Quem nesta terra quereria por os pés nesse instituto? Mas, loucos…, existe uns loucos em quantidade que não querendo entrar no instituto de feiura na Terra, ingressam num instituto de feiura eterno, chamado inferno.

III – Nos confessionários, a ressurreição para a vida da graça

Mas quem ressuscita à direita, este tem além da integridade de seu corpo, tem a imortalidade e tem a impassibilidade, ou seja, não sofre dor nenhuma, quem vai para o inferno sofre todas as dores próprias de quem está no inferno. Mas, quem estiver no Céu com seu corpo glorioso, este não terá nenhum tormento, nenhuma tristeza, é como se tivesse passado pelo mais eficaz, pelo mais extraordinário instituto de beleza que possa ter existido, pois, a beleza da alma na visão beatífica contemplando a Deus face a face, se refletirá no corpo e além do mais, o corpo passará a ter uma flexibilidade e uma agilidade tais que, deslocará de um lugar para outro com a velocidade do pensamento.

Os homens correm atrás dos aviões, correm atrás das super velocidades. Pois bem, essas velocidades para o corpo glorioso são ridículas, mais ainda, o corpo glorioso será subtil, quer dizer, estará em qualquer lugar, sairá de qualquer canto, passará por paredes, não terá nunca problemas de portas ou janelas fechadas.

Vamos aproveitar o dia de hoje, reparando o Sapiencial e Imaculado Coração de Maria e vamos pedir para ressuscitar à direita de Nosso Senhor. Mas, para ressuscitar à direita é preciso correr, porque quem não corre, não se santifica, e para isso é preciso morrer para o pecado, é preciso dizer não as tentações. E o que precisamos para ressuscitar? Ali estão os confessionários, são neles que ressuscitamos novamente para a vida da graça. Quando o padre levanta a mão e diz: Eu perdoo os seus pecados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, aí neste momento ressurgimos para a vida de Deus em nós. É a ressurreição de nossas almas que vai preparar a ressurreição à direita, porque quem morre em pecado mortal e não tem arrependimento, este não terá a ressurreição à direita, mas à esquerda, vai passar a eternidade no instituto de feiura.

Oração Final:

Vamos pedir graças para a Mãe celestial ao encerrarmos esta meditação.

Oh Mãe Santíssima, Vós que nunca fizestes qualquer concessão ao mal, Vós fostes puríssima desde a concepção e nem sequer a sombra de uma imperfeição pousou em Vós, dai-nos a graça de permanecer sempre firme dentro desta perspectiva do amor a Vós, a da ressurreição das almas e dos corpos, dentro da perspectiva do juízo final, que eu tenha bem presente isso na hora em que a tentação se aproximar, na hora em que eu sentir aquela inclinação para o mal, que eu me lembre desses últimos acontecimentos e

queira estar Convosco, que eu queira sentir em mim os reflexos de Vossa beleza: Beleza de alma, de virtude, beleza do meu destino eterno junto a Vós, beleza de ter sido criada para ser Mãe de Deus. Esta beleza Vós colocais à nossa disposição na proporção devida, para que também nós tenhamos reflexo de Vossa beleza.

Oh Mãe, nós Vos oferecemos esta meditação de primeiro sábado, sobre o primeiro mistério glorioso do Santíssimo Rosário, nós oferecemos em desagravo ao Vosso Imaculado Coração e vos pedimos: Não permitais que esqueçamos, jamais, de tudo quanto aqui meditamos.

Autor: Revmo. Mons. João Clá Dias
Fonte: Apostolado do Oratório – Arautos do Evangelho

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