Meditação 1º Sábado de Dezembro/2011

O Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo em Belém

 

Cabe-nos hoje fazer uma meditação sobre o Natal que se aproxima. Nós estamos dentro do período do Advento, de maneira que devemos por nossos olhos no Menino Jesus no Presépio, tendo como fundo de quadro esse período de expectativa, indicado por quatro semanas. Este período é caracterizado por uma grande esperança, penetrada pelo desejo de santidade e por uma vida penitencial, que sustentava o povo eleito no antigo testamento. Vamos meditar sobre o mistério do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo e prepararmo-nos assim para esse aspecto da vinda Dele.

Em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Ave Maria…

Composição de lugar:

Vamos imaginar que estamos bem próximos da gruta de Belém! Estamos vendo aquela gruta fria, toda de pedra, num lugar isolado, abandonado, frequentado por animais…

Vamos imaginar Nossa Senhora sentada num banco, que foi improvisado por São José, enquanto ele põe em ordem aquela gruta. Limpa aqui, limpa ali… Põe lá umas luminárias, umas tochas…, vai preparando a gruta à espera do nascimento do Menino Jesus.

Oração inicial:

Ó minha Senhora e minha Mãe, Vós vos encontrais na situação, a mais simples possível, sentada neste banco de madeira. Mais simples do que isso, o que poderia ser? Entretanto, Vós nessa situação, sois o mais belo de todos os tabernáculos que Deus poderia ter criado, porque em vosso claustro materno se encontra o Criador, o Redentor, o Senhor dos anjos e dos homens, Aquele que os anjos e os bem-aventurados louvam e louvarão por toda a eternidade.

Vossa aparência é de calma, de paz, de serenidade e resignação. Vós não vos preocupais com a gruta que vos está sendo preparada, Vós não vos afligis pelo fato de ser introduzida num ambiente que, de vós não é digno, vós aceitais tudo como sendo da vontade de Deus.

Minha Mãe, neste momento em que vou iniciar minha meditação sobre o nascimento do Menino Jesus, dai-me a graça de ter esse vosso estado de espírito. Dai-me a disposição de aceitar tudo o que me for enviado, como um desígnio altíssimo de Deus.

 

O primeiro ato de amor

 

Não há maior sujeição nesta Terra do que de uma criança à sua mãe quando ainda está no ventre materno. E, durante nove meses consecutivos, Nosso Senhor quis pertencer inteiramente a Nossa Senhora! Jesus, o esperado das nações, o Homem-Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, quis sujeitar-se a Maria!

Sendo perfeitíssimo desde o primeiro instante, quando seu corpo começou a se constituir Nosso Senhor começou a pensar; começando a pensar, começou a orar e conhecendo perfeitamente de que Mãe era Filho, Ele certamente disse a Ela palavras de amor. Não se pode imaginar qual tenha sido essa primeira palavra de amor d’Ele para Nossa Senhora, e qual foi a resposta d’Ela, sentindo o carinho que Lhe vinha do Filho de Deus! É alto demais para a nossa pequenez.

Que riqueza de alma era preciso ter para responder adequadamente a esse primeiro carinho! Que noção dos matizes! Que noção das situações! Que perfeita disponibilidade de alma para corresponder a tudo perfeitamente, e oferecer a Ele esta primícia incomparável: o primeiro ato de amor que o gênero humano Lhe ofereceu!

I – A aflição de São José e a resignação de Nossa Senhora

Belém era a terra natal de José. Ele conhecia Belém como a palma da mão; ele conhecia as ruas de Belém, ele conhecia as pessoas, as famílias. Tanto mais que ele era de uma família das mais elevadas de Israel e tinha contato com aquelas pessoas todas…

Durante o caminho de Nazaré para Belém, ele certamente foi se lembrando de todas as principais relações que ele tinha em Belém: o dono de uma hospedagem, o proprietário daquela casa, o possuidor daquele palácio em Belém… Ele conhecia todas aquelas famílias.

Chegando a Belém, ele foi logo depois de recensear-se, foi procurar hospedagem… porque sua Santíssima Esposa estava para dar à luz.

Ele, então, foi no melhor dos lugares e bateu. Já era noite…, ele teve que bater uma segunda vez, talvez uma terceira… Alguém abre um pouquinho a porta, e ele explica:

— Eu estou aqui com minha esposa e Ela está para dar à luz…

— Não, não tenho lugar…!!! — responde o antigo conhecido de José.

— Mas, Fulano, e a nossa amizade…!

— Eu sei… Mas eu não posso fazer nada…

Triste, José se retira! Bate em outra casa, em outra, em outra… Ninguém lhe dá hospedagem!

Quando ele já tinha esgotado todas as possibilidades, a alma dele estava partida! Ele queria dar a Maria o que havia de melhor… e não conseguia!

Resignação de Nossa Senhora

 

Maria não dizia nada! Nenhuma queixa, nenhuma reclamação, nenhuma insistência… Sua alma em paz, repousava na confiança. José voltava para junto d’Ela e dizia:

— “Olhe, não consegui ainda! Mas vou tentar em tal outro lugar”.

— ‘Sim, dizia Ela, vamos com muita paz, com muita confiança”.

Ela certamente já havia percebido que também ali ele não ia conseguir…, mas não dizia nada…..

Até que… José lembrou-se de uma gruta que ele frequentava quando era muito menino… Essa gruta tinha sido também a gruta que Jacó tinha frequentado quando criança. Era, portanto, uma gruta que já tinha sido preparada por Deus há séculos!

José prepara logo um banco para Maria e vai limpar a gruta do melhor modo possível…

Vamos acompanhar com nossa imaginação o carinho, a devoção, a piedade com que José fazia aquilo. Ele estava preparando o lugar onde ia nascer o Redentor do mundo!

Conclusões:

 

Vamos tirar as conclusões deste primeiro ponto da meditação.

De nossa parte, devemos fazer absolutamente tudo para conseguir com que Nosso Senhor venha nascer no melhor dos lugares. E devemos nisso imitar São José.

Mas… devemos também aceitar qualquer lugar que se abra para Cristo nascer… imitando assim Nossa Senhora.

Colóquio e pedidos:

 

“Oh São José, Patrono da Igreja, pai de Nosso Senhor, eu vos peço: dai-me a graça de ter esta santa preocupação que vós tivestes para encontrar para o nosso Redentor e para sua Mãe Santíssima o melhor dos lugares, e que eu tenha na minha alma preparado o melhor lugar para eles.

“Oh Minha Mãe, dai-me a graça de, depois de pedir, pedir, pedir tudo o que seja para a glória de meu Redentor, aceitar aquilo que me for dado, com toda a resignação, como Vós aceitastes”.

 

II – O nascimento do Menino Jesus e seu primeiro olhar

Maria se põe em oração… e… ó milagre dos milagres!! Cristo Nosso Salvador, por alguns instantes, toma o corpo glorioso, deixa o ventre puríssimo de Maria sem lhe tocar em nada na virgindade! Sim, tal é o amor excelso que Ele tem pela virgindade!

Nasce assim o Menino Jesus, que tem o seu primeiro olhar posto em sua Mãe! Eis aí a mais bela de todas as cenas, o mais alto de todos os olhares! Que troca de olhares mais belo pode haver?

Quem sabe, o último olhar de Jesus, na cruz, para Maria… e de Maria para Jesus?

Sim, dois olhares extremos! O olhar do nascimento e o olhar da morte de um Deus.

 

 

Conclusões:

O que nós devemos tirar como conclusão deste segundo ponto?

Primeiro, devemos concluir que, sendo Cristo o Rei do Universo, sendo o Salvador e Redentor do mundo, preferiu nascer numa gruta e não num palácio. Porque foi vontade d’Ele, para nos ensinar que podemos ter riquezas, mas compreendendo que nosso desprendimento, nosso desapego, deve ser uma imitação do total desprendimento do Menino Jesus na gruta de Belém. Tudo devemos desejar, desde que seja por amor de Deus, segundo a vontade de Deus.

Em segundo lugar, precisamos levar em consideração que Jesus Cristo Nosso Senhor, podendo nascer e permanecer com seu corpo glorioso, no entanto Ele preferiu o corpo padecente depois de seu nascimento.

Também aqui nós devemos imitá-Lo e amar mais o sofrimento do que a felicidade. Devemos ter um amor à dor, um amor às provações, e não devemos nos queixar e revoltar contra Deus quando uma provação bate à nossa porta, porque Ele nos deu o exemplo de que é mais belo e nobre padecer do que ser glorificado.

Outra conclusão que devemos tirar é o amor que Nosso Senhor Jesus Cristo tem à virgindade. Ele quis nascer sem romper a virgindade de Maria.

Sim, aqui também Ele quer que o imitemos. Sejamos fiéis à virtude da castidade, cada um de nós dentro do seu estado. Sejamos fiéis, portanto, à lei de Deus e não rompamos, de maneira nenhuma, nem o sexto, nem o nono mandamento da Lei de Deus…

Colóquios e pedidos:

 

Ó Mãe das mães, ó Virgem das virgens, em Vós se encontram dois opostos paradoxais: Vós sois Mãe e sois Virgem ao mesmo tempo.

Minha Mãe, se minha vocação é a do casamento, que eu seja fiel ao meu cônjuge e que jamais rompa as leis postas por Deus para o meu matrimônio.

Se sou eu chamado à virgindade, dai-me a graça de jamais perdê-la por nenhum preço deste mundo. Antes, se for necessário, que eu antes perca a vida como aconteceu com Santa Maria Goretti, mas não permitais que eu vos ofenda.

E também eu vos peço que eu ame o espírito de pobreza, como Jesus amou, ainda que esteja no meio da riqueza.

E que eu ame a dor como Ele a amou já no começo de sua vida.

 

Colóquio Final:

Para encerrar nossa meditação, vamos nos dirigir a São José e a Nossa Senhora.

Ó São José, vós que sois pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, eu vos peço que sejais também meu pai. Assim como por Ele vós fizestes tudo, preparastes um lugar para Ele nascer, e depois o protegestes durante toda a vida; sede também o meu protetor e alcançai para mim esta graça: preparai minha alma para que nela possa nascer o Menino Jesus.

E Vós, ó Minha Mãe, vós que conduzistes nosso Redentor em vosso claustro materno, durante nove meses, preparai minha alma para nascer nela o Menino Jesus.

E quando se dará esse nascimento? No momento em que eu for comungar. Eu quero, pois, aproveitar essa ocasião do Primeiro Sábado de dezembro, e da aproximação do Natal, para confessar-me e preparar minha alma para receber dignamente a Nosso Senhor Jesus Cristo sacramentado.

Peço-vos, portanto, minha Mãe, que façais nascer em mim o Menino Jesus; mas que Ele permaneça em mim como permaneceu em Vós, e que eu permaneça n’Ele como Vós permaneceis n’Ele. Que eu nunca mais O abandone!      

Oh Jesus Menino, por meio de São José e por meio de Nossa Senhora, eu vos peço: dai-me a graça de manter sempre a inocência de minha alma e estar sempre crescendo em graça e santidade, como Vós assim o fizestes durante a vossa vida.

 

Assim seja!

 

Mons. João Scognamiglio Clá Dias.

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