Diante de Maria Imaculada

Autor: Frei Lourenço Maria Papin, OP (Santa Cruz do Rio Pardo/SP)

Imaculada de Peter Paul Rubens, pintor flamengo (1577 - 1640)

No dia 08 de Dezembro a Igreja celebra a Solenidade da Imaculada Conceição (ou concepção) de Maria no ventre materno.

No dia 08 de Dezembro de 1854, o bem-aventurado Papa Pio IX, falando “ex cathedra”, isto é pronunciando-se num modo infalível, assim definiu o Dogma da Imaculada Conceição: “A beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua concepção, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha do pecado original”.

Escolhida para ser a mãe do Salvador, Maria foi enriquecida por Deus com dons especiais em vista de tão grande e sublime missão.

Quando o Anjo lhe anunciou essa missão, saudou-a num modo inusitado chamando-a de “cheia de graça” (Lc 1, 28). Para pronunciar o seu SIM a esse anuncio que daria início a uma nova fase da história da salvação da humanidade era de fato preciso que Maria estivesse totalmente sob o impulso da graça de Deus.

A Maternidade Divina de Maria (Theotokos, na definição do Concílio de Éfeso do século IV) suscitou na Igreja, ao longo dos séculos, a consciência de que Maria, a “cheia de graça”, foi redimida do pecado original desde sua concepção no ventre materno.

Esta antecipada santidade de Maria, desde sua concepção, lhe vem inteiramente do Cristo Redentor.

O sentido da fé (“sensus fidei”) das comunidades cristãs e o aprofundamento teológico ao longo dos anos levaram o Bem-Aventurado Pio IX a proclamar o Dogma da Imaculada.

Grandes Santos e escritores da tradição cristã do Oriente chamam a Mãe de Deus de “a toda santa” e a celebram na liturgia como “imune de toda mancha de pecado, como que plasmada pelo Espírito Santo e formada como uma nova criatura”.

Uma antiga antífona mariana da liturgia romana dizia: ”Tota pulcra es Maria Et macula originalis non est in te” (És toda bela, ó Maria, e não existe em Ti a mancha do pecado original).

Neste momento, vem-me à mente palavras de um sermão que ouvi quando garoto, proferidas pelo dominicano francês Frei Reginaldo Tournier, então missionário no Pará. Pregando sobre Maria Imaculada para uma multidão na praça da velha matriz de Santa Cruz, num linguajar simples e afetuoso exclamou: “Nossa Senhora é linda”! Creio que o saudoso frei se inspirou nessa antiga antífona mariana.

Sim, belíssima, santíssima e “puríssima devia ser, na verdade, a Virgem que nos daria o Salvador, o Cordeiro sem mancha que tira o pecado do mundo” (Prefácio da Missa da Imaculada). Ela gerou o autor da própria beleza e santidade.

A rica iconografia cristã do Ocidente e sobretudo do Oriente (arte bizantina) sempre apresenta Maria adornada de uma cândida e singular beleza física, como um espelho a refletir sua incomparável beleza espiritual.

Maria torna-se o protótipo da verdadeira beleza espiritual e física. Sua beleza questiona a idolatria da beleza física em nossa sociedade consumista, ao mesmo tempo em que é um convite, ao cultivo da beleza moral e espiritual que brota e se aprimora na prática das virtudes.

A beleza de Maria questiona também a sociedade injusta e egoísta que gera a miséria e a fome que desfiguram a beleza do homem e da mulher criados à imagem e semelhança de Deus.

Convenhamos que a beleza física é fugaz e tantas vezes enganadora e decepcionante. A beleza espiritual, porém é permanente e nunca perde seu encanto. Sem a beleza moral e espiritual, a beleza física se banaliza e perde sua dignidade e seu sentido.

Que a beleza de Maria Imaculada nos encante espiritualmente, nos conquiste e nos conduza para Deus, suprema e eterna beleza.

Maria Imaculada intervenha em favor de todos nós e nos conduza a construir um mundo novo e mais bonito. E será um mundo novo e mais bonito se for mais fraterno e solidário, mais justo, humano e cristão.

 

Fonte: Terra e Povo de Ouro (Boletim Informativo da Diocese de Ourinhos – N. 77 – Dez/2011)

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