São Francisco de Assis – Capítulo 17

CAPÍTULO 17

Depois de vinte anos desde que aderira a Cristo, seguindo a vida e os vestígios dos apóstolos, Francisco, o varão apostólico, no ano 1226 da Encarnação do Senhor, no dia quatro de outubro, um domingo, migrou com a maior felicidade para Cristo, conseguindo a vida eterna depois de muitos trabalhos, apresentando-se dignamente diante do seu Senhor. Um de seus discípulos, famoso por santidade, viu sua alma subir diretamente ao céu como uma estrela do tamanho da lua, e quase tão brilhante como o sol. De fato, tinha trabalhado muito na vinha do Senhor, solícito e fervoroso nas orações, nos jejuns, nas vigílias, nas pregações e nas viagens de salvação, no cuidado e na compaixão do próximo e na abjeção de si mesmo, desde o começo de sua conversão até sua transmigração para Cristo, a quem amara de todo coração, mantendo assiduamente sua memória na mente, louvando-o com a boca e glorificando-o com obras frutuosas. Tinha um amor tão fervoroso e profundo por Deus que, ouvindo falar seu nome, todo derretido interiormente, prorrompia externamente dizendo que o céu e a terra deveriam inclinar-se ao nome do Senhor.

O próprio Deus, querendo mostrar ao mundo inteiro o fervor desse amor e a perene memória da paixão de Cristo, que ele trazia em seu coração, honrou-o magnificamente, ainda em vida, com a admirável prerrogativa de um singular privilégio. Pois, como era elevado a Deus pelos ardores seráficos dos desejos, e se transformava por uma doçura compassiva naquele que por enorme caridade quis ser crucificado, certa manhã, perto da festa da Exaltação da Santa Cruz, quando estava orando num lado do monte chamado Alverne, dois anos antes de sua morte, apareceu-lhe um rosto do Senhor Jesus.

Com duas asas cobria a cabeça, com duas o resto do corpo até os pés, mas as outras duas se estendiam para voar. Quando a visão desapareceu, ficou em sua alma o admirável ardor do amor, mas em sua carne apareceu mais admirável a impressão dos estigmas do Senhor Jesus. O homem de Deus procurou ocultá-los como pôde até a morte, não querendo publicar o sacramento do Senhor, embora não conseguisse escondê-los absolutamente, sem que fossem conhecidos pelo menos por seus familiares.

Mas depois de seu felicíssimo trânsito, todos os irmãos presentes e muitíssimos leigos viram perfeitamente seu corpo ornado com os estigmas de Cristo. Pois distinguiam em suas mãos e pés não os furos dos cravos, mas os próprios cravos formados por sua carne e inatos em seu corpo, também com o negrume do ferro. O lado direito, como que transpassado pela lança, mostrava uma cicatriz vermelha de verdadeira e evidente chaga, donde muitas vezes em vida vertia sangue sagrado. A verdade inquebrável desses estigmas apareceu claramente em sua vida e na morte pela visão e pelo contato demonstradíssimo, mas o Senhor quis manifestar mais claramente essa verdade também depois de sua morte, por muitos milagres manifestados em diversas partes do mundo. Por causa desses milagres, muitos que não haviam julgado retamente acerca do homem de Deus, e tinham posto em dúvida seus estigmas, chegaram a tanta certeza de fé que, se antes haviam sido seus detratores, pela bondade atuante de Deus e compelidos pela verdade, tornaram-se louvadores e anunciadores fidelíssimos dele.

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil (Franciscanos.org.br)

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