Maria, a vitoriosa

Por Dom Aldo Di Cillo Pagotto (Arcebispo Metropolitano da Paraíba – PB)

Chegará o dia e virá a hora na qual nós, humanos, passaremos por fronteiras que delimitam a vida terrena e as sendas da eternidade. Para os cristãos a eternidade não se identifica com o tempo, senão a vida em plenitude trazida por Cristo, participada aos que se abrem ao seu amor e à sua obra de salvação. A passagem da vida terrena à plenitude da vida vincula-se ao que semeamos e construímos no tempo e no espaço terreno. Embora esses sejam elementos reais que nos condicionam e nos delimitam, o Espírito nos revela e nos lega os valores transcendentes da vida.

Contemplemos em Maria esses valores transcendentes da vida presente e de outros momentos da vida. Maria recebeu do Senhor a dádiva de ser mãe de Cristo e, extensivamente, mãe de todos os filhos e filhas de Deus. Maria tornou-se exemplo referencial do serviço de caridade fraterna, como primícia das criaturas a serem salvas por Cristo. Maria recebeu o privilégio de isenção de todo pecado. Esse privilégio torna-se maternidade operosa à humanidade a ser salva. Maria vivencia sua maternidade na fidelidade incondicional, voltada aos cuidados daqueles que Jesus lhe confia. Sua maternidade espiritual torna-se generosidade serviçal.

Sua virgindade é fecunda porque é aberta à colaboração na obra da redenção. Sua fidelidade é íntegra. Sua disponibilidade é incansável. Maria toma a iniciativa de ir ao encontro de quem precisa do amor de Cristo, único Senhor e Salvador. A assunção de Maria, serva fiel, ensina-nos a enfrentar as contradições inevitáveis que encontramos nos caminhos da vida. Maria representa o amor inconfundível, a fidelidade imbatível daqueles que aceitam servir, superando os obstáculos.

Maria conhece a vida tal como é, cheia de encontros e desencontros. Maria, criatura abençoada, é a mãe que soma esforços e favorece a descoberta de rumos entre desafios, embates, oportunidades, tentativas, esperanças, decepções, condicionamentos. Maria configura a ressurreição de Cristo, elevada aos parâmetros excelsos do amor de Deus. Sua vida e sua missão destinam-se a orientar a todos e cada um de nós, criaturas semelhantes a ela, nos rumos que transcendem as vicissitudes do tempo, repletos de lutas.

A assunção de Maria corresponde ao êxito final da sua vida terrestre, sendo introduzida na glória do Senhor da Vida. Maria como humilde serviçal continua a sua missão de cuidar da vida dos filhos e filhas de Deus nesta terra. Continuará a ensinar as gerações a proclamar as maravilhas que o

Senhor realiza nela, como em toda a humanidade, credenciada a bendita entre as mulheres. Maria é um dom de inapreciável valor que Deus nos confiou, para que nos tornemos iguais a ela, cooperadores da obra da redenção.

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