Meditação 1º Sábado de Agosto/2011

 A TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR

“Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda a minha afeição; ouvi-o” (Mt 17, 5).

Introdução:

Neste Primeiro Sábado de agosto, a Igreja festeja a Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo, no Monte Tabor.

Consideremos o quinto mistério luminoso do santo Rosário.

Oração inicial:

Virgem Santíssima, Mãe da Divina Graça, nós Vos pedimos que useis de vosso poder de intercessão infalível junto ao Vosso Divino Filho para nos obter graças superabundantes, eficazes e até místicas para bem meditar mais essa passagem da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Transfiguração. Sabemos que Ele fez isto com o intuito de fortalecer os Apóstolos, e dar a eles energia e vigor de alma para suportar com ânimo forte a duríssima prova da Paixão que se aproximava.

Também nós não sabemos o que encontraremos pela frente, quantos anos de vida ainda nos restam.

Que dores, aflições, dramas teremos pela frente? Não sabemos. Como passaremos por essas provas?

Também não sabemos. Por isso precisamos do Vosso apoio, do auxílio de Vossa Divina Graça. Precisamos da figura transfigurada de Vosso Divino Filho para alimentar a esperança de nossa própria transfiguração no dia de nossa ressurreição. E assim suportarmos com virtude todas as dificuldades que nos virão pelo futuro. Pedimos, portanto, graças para podermos reparar de forma proporcionada Vosso Sapiencial e Imaculado Coração.

Assim seja!

Ave Maria…

I – Introdução: Tabor, mistério de consolação e esperança

Transportemo-nos em pensamento ao Tabor, admiremos a escolha que Nosso Senhor fez desse lugar afastado completamente da correria, da febricitação, das atenções ateriais.

O Tabor é um monte majestoso, alcançando 660 metros de altitude. Maravilhoso panorama se descortina do alto, vendo-se o relevo ondulado da Galileia, o lago de Genezaré, o cimo nevado do monte Hermon, o monte Carmelo e o Mar Mediterrâneo.

Mas o Tabor é famoso por algo de mais transcendente: em seu cume ocorreu um dos principais acontecimentos da História da humanidade – a Transfiguração de Jesus.

Subindo ao alto deste monte que está perto do Céu, Jesus se destaca inteiramente do que tinha ficado embaixo e vai orar. Ele não diz aos Apóstolos que ia se transfigurar, subiu para rezar.

Quão profunda e fervorosa foi esta oração! Que belo espetáculo aos olhos do Céu e da Terra! Enquanto estava absorto em oração, o Seu rosto tornou-se refulgente como o sol e Suas vestes brancas como a neve!

E aí nós vemos o quanto a oração é o caminho da transfiguração.

Porque também nós somos chamados a uma transfiguração; nós depois de morrermos, (não sabemos quanto tempo), esperaremos o dia da nossa ressurreição. E nós vamos estar com o corpo também transfigurado de uma forma ainda mais autêntica do que Nosso Senhor nesse momento. Porque nesse momento Ele operou um milagre enquanto que nós estaremos tomando nossos corpos gloriosos de forma estável, e não passageira como se deu com Ele.

Corpo de Jesus: transfigurado ou glorioso?

Nós estamos na festa da Transfiguração. Devemos ter bem presente que Nosso Senhor não tomou nesta ocasião o corpo glorioso como alguns erradamente pensam, Ele só tomou seu Corpo Glorioso depois da Ressurreição. Em circunstâncias outras da vida, no nascimento, quando queriam prendê-lo e misteriosamente desapareceu (fazendo uso do corpo glorioso), mas Ele estava ainda com o corpo padecente, Ele então realizou um milagre. Ele realizou um milagre para que nós compreendêssemos o que será a nossa ressurreição.

Os três Apóstolos ficaram tomados de espanto e maravilhados diante de Nosso Senhor Jesus Cristo transfigurado. Elias e Moisés representavam a Lei e os profetas estavam ali confirmando as profecias que anunciavam a vinda do Messias: e Ele estava diante deles! Aquele que nós desejávamos; Aquele que foi anunciado ao longo dos séculos. O Filho de Deus!

1 – Na Transfiguração: preparando o caminho do Céu

O Evangelho de São Marcos (9, 12-13), coloca-nos diante de Nosso Senhor Jesus Cristo junto com os três Apóstolos no monte Tabor, e ladeado por Santo Elias e Moisés, o grande legislador do povo judeu.

Acompanhemos passo a passo o que nos descreve o Evangelista sobre este episódio magnífico que é a Transfiguração. Diz ele: “Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e conduziu-os sós à parte, a um alto do monte, e transfigurou-se diante deles”.

Ele toma três testemunhas e, está dito no Evangelho que foram seis dias depois. Depois do que?

O que aconteceu seis dias antes desta transfiguração? Contudo Nosso Senhor Jesus Cristo não queria que os Apóstolos fossem apanhados de surpresa. Ele queria que estivessem inteiramente conhecedores do que ia acontecer. Tanto mais que Jesus era uma figura extraordinária porque curava os leprosos, os cegos; curava os paralíticos e até ressuscitava mortos. Um homem, portanto, com poderes extraordinários.

E por causa de tudo isso, os Apóstolos e discípulos, os que O conheciam, tinham a sensação de que Ele por milagre ia fazer com que Israel fosse colocado no primeiro patamar entre todos os povos. Então era normal que eles, Apóstolos e discípulos, quando soubessem, quando testemunhassem a prisão de Nosso Senhor Jesus Cristo, eles se assustassem e talvez até perdessem a Fé.

E Nosso Senhor Jesus Cristo então vai preparando-os passo a passo para a via que nos conduz à luz verdadeira, que é o Céu.

Nosso Senhor, seis dias antes tinha feito uma revelação clara, patente, luzidia a respeito da sua Morte e Ressurreição. Ora, seria para os Apóstolos apesar da revelação, muito difícil suportar o que vinha: ver o Divino Mestre flagelado, ensanguentado, não tendo nada de são no seu corpo, carregando a Cruz às costas, ser crucificado entre dois ladrões. Isto seria um verdadeiro tormento. Os Apóstolos não aguentariam uma visão assim tão arrasadora do Divino Mestre. Eles discutem entre si o que significava aquela previsão de morte na Cruz. Nosso Senhor deixa então passar seis dias, e depois leva ao alto do monte: Pedro, Tiago e João. Pois queria que três, — os mesmos que serão convidados para estar orando com Ele no Horto das Oliveiras —, subissem o monte seis dias depois de lhes ser revelado a Paixão.

2 – O dois caminhos: transfigurados ou desfigurados.

Os Apóstolos tinham fé plena na Ressurreição. Já sabiam perfeitamente que todos nós ressuscitaríamos no fim do mundo. Depois do julgamento final estaríamos com os corpos gloriosos. Mas não tinham ideia de como seria um corpo glorioso. E Nosso Senhor transfigurando-Se diante deles, deixa-os deslumbrados com o que presenciavam que:

E seus vestidos tornaram-se resplandecentes e em extremo brancos, como a neve, tanto que nenhum lavadeiro sobre a terra os poderia tornar tão brancos (Mc 9, 3)

“Transfigurou-Se diante deles”, ou seja, a figura humana com a qual Ele se apresentava, essa figura tomou outro aspecto, tomou outra aparência, e de tal forma que deixou os Apóstolos de um lado aterrorizados e de outro os deixou encantadíssimos, fora de si, porque viram Nosso Senhor com os reflexos de como Ele se apresentará na eternidade.

“Suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura” (Mt 17, 2).

A roupa alva tem um caráter todo especial, a alvura é muito mais luzidia do que todas as outras cores, tanto é assim que em grandes arenais, ou então quando o sol bate sobre a neve exige das pessoas óculos ray-ban, óculos escuros para que a vista não seja ferida. Quem fotografa nessas circunstâncias deve fechar sua objetiva com mais dois pontos para evitar que a foto fique muito cheia de luz. O branco reflete a luz de uma forma extraordinária. Tanto é assim que nas regiões mais quentes pintam-se as casas de cores mais claras, e as pessoas também usam roupas brancas, porque o branco não absorve a luz, ele reflete a luz, assim como reflete a luz ele reflete também o calor. E por isso a Escritura nos fala de uma alvura: o branco, a cor branca. A cor branca é realmente uma cor extraordinária para simbolizar a pureza. A noiva se veste de branco, assim como quem vai fazer a Primeira Comunhão.

E aqui está Nosso Senhor transfigurando-Se em branco, para simbolizar quanto Ele é a Pureza, Ele é a Castidade; o quanto Ele ama essas virtudes, e transfigura-Se para mostrar que nós ao ressuscitarmos precisaríamos estar purificados de nossas faltas todas, e precisaríamos estar revestidos das roupas da virtude, e mostra-nos quanto vale a pena nós vencermos as tentações, não cedermos às nossas paixões e estarmos, portanto, afastados para o que o mundo nos convida, ou seja o pecado. Ele transfigurar-se com essas roupas resplandecentes, com luzes; que quis Ele dizer com isso? Ele quis aqui antecipadamente nos mostrar como seremos depois do Juízo, desde que tenhamos morrido em graça; a fim de nos dar a ideia de como seremos no dia que ressuscitarmos. E nós aí devemos ter o alimento, a consolação e a esperança do que virá no futuro.

Alimentando, portanto, nossa fé, mas também a esperança. Pois, transfigura-Se assim, para nos dar a entender que também seremos outros, quando ressuscitarmos no dia do Juízo: desde que tenhamos morrido em estado de graça.

Alimenta-nos também o amor a Deus, a Caridade, porque faz com quecompreendamos que vale a pena dizer ‘não’ ao pecado, vale a pena dar as costas a tudo aquilo que o demônio nos convida e nos arrasta; a tudo aquilo que o nosso orgulho interior nos impõe e nossas paixões nos seduzem. Isso tudo constitui uma guerra contra a nossa transfiguração, no dia do Juízo estaremos ou à direita ou à esquerda de Nosso Senhor Jesus Cristo. Os que estiverem à direita estarão transfigurados; os que estiverem à esquerda estarão desfigurados. E nós temos, portanto, dois caminhos a escolher, ou é o caminho da plenitude, da luz, das roupas alvas, reluzentes, resplandecentes; ou, ou,… Ou nossa carne horrível e cheia de doenças, cheia de males, cheia de incômodos, cheia de dores, cheia de tormentos à esquerda. Para nos animar no nosso amor a Deus; Jesus se transfigura para dizer-nos: aguentem, ‘vale a pena’.

II – O convite: queres ter a beleza?

Nós temos nessa Transfiguração um ponto essencial: para dar forças aos Apóstolos para passarem pela Paixão, Nosso Senhor mostra a eles o que? O feio ou o belo. Se Ele mostrasse o feio, algo que fosse horroroso para prepará-los para a Paixão, Ele faria o trabalho que faz Satanás. Este ama o feio, a maldade; ama o horror, a sujeira, a mentira. Quem ama o bem, a virtude; quem ama a pureza é Nosso Senhor Jesus Cristo. Ora, a beleza é o próprio bem quando atinge o seu esplendor. A beleza é a própria verdade quando está no seu auge; o auge da verdade, o auge da bondade, é a beleza. Nosso Senhor quis dar aos Apóstolos força de alma. Como é que Ele faz para dar essa força de alma? Ele mostra a Beleza que é Ele, a Bondade e a Verdade. Ele disse de si: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Ele poderia ter dito: “Eu sou a Beleza”.

No momento em que se transfigurou Jesus se apresente a nós como a Beleza. E aí está um convite a nós para que nós também sejamos belos. Como ser belo, como ser bela? Não adianta comprar o cosmético último que saiu: BG-14 ou BG-15 (ponham o número que quiserem), que vai fazer um sucesso na face. Há um só cosmético que o tornará belo, seu nome é virtude, se chama santidade, e isso as lojas não vendem. Quem vende esse cosmético chamado virtude e santidade é a oração a Nosso Senhor Jesus Cristo, que está em nossos sacrários, numa Hóstia consagrada; é o confessionário; é o Rosário, é Maria Santíssima, isto sim, torna belo. É por isso que na Transfiguração nós encontramos a Beleza nesta manifestação magnífica.

Oração Final:

Ó Virgem Santíssima, Vós sois a Rainha do Belo em pessoa e em substância. Mais do que rainha, Vos sois a Mãe do Belo, a Mãe da Bondade, e a Mãe da Verdade, que é o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo. Vós vos apresentastes em Fátima também de uma maneira bela. As vossas imagens palidamente nos dão uma ideia daquela ‘Senhora que brilhava mais do que o sol’ para os três pastorzinhos. E hoje se encontram eles contemplando a vossa Face na eternidade. Nós também, depois desta meditação da Transfiguração, somos chamados a contemplar a Vossa face e a Face do Vosso próprio Divino Filho.

Dai-nos, ó Mãe, horror ao pecado, à maldade, o horror à imoralidade. E, pelo contrário, um amor à pureza, um amor à virtude, um amor à santidade para que assim postos sempre neste caminho da verdadeira prática da virtude possamos, em determinado momento Vos encontrar na eternidade nessa contemplação plena e perene, sem volta atrás, da beleza. Aí não mais transfigurada porque veremos a figura verdadeira, (a vossa Face); veremos o Céu como ele é, veremos a Face de Deus Pai, de Deus-Filho, de Deus- Espírito Santo, estaremos na visão Beatífica, com os Anjos e os Santos a louvar a Santíssima Trindade por toda a eternidade.

Ó Mãe, ouvi a nossa súplica, aceitai esta meditação em reparação ao vosso Sapiencial e Imaculado Coração, assim como o nosso terço, nossa Confissão, e também a nossa comunhão, tornando-nos santos, porque queremos ser belos e belas como Vós e como Vosso Divino Filho.

Assim seja!

(Mons. João Scognamiglio Clá Dias * sem revisão do autor).

“Apostolado do Oratório – Devoção dos Primeiros Sábados”

Sede do Apostolado do Oratório

Telefone: (11) 2239-7216 / Fax: (11) 2973-9477

 

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Um comentário sobre “Meditação 1º Sábado de Agosto/2011

  1. sÓ A PRÁTICA DO QUE JESUS E MARIA FORAM E SÃO É QUE NOS TORNAREMOS DIGNOS DE VOSSAS BENÇÃOS! DEUS SEJA LOUVADO!

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