Invocação Mariana: Nossa Senhora da Pena

Eis a origem histórica do título – Nossa Senhora da Pena: – Há mais ou menos três séculos, habitavam o bairro de Jacarepaguá alguns fazendeiros e criadores, seguindo a rotina trivial do tempo na fabricação da rapadura ou açúcar bruto.

Nesses engenhos de cana do tempo primitivo, os construtores da riqueza de seus donos foram os humildes escravos, pretos incansáveis no lidar de sol a sol. Uns plantavam, outros cuidavam de pastorear o gado, que se atrelava às almanjarras dos engenhos antigos.
Vamos agora ao fato ocasionador do novo título de Nossa Senhora: Certo dia, escapando uma rês da vigilância de um preto vaqueiro, viu-se o escravo na contingência de um castigo corporal. Aflito pelo desaparecimento do animal, e naturalmente repreendido pelo rico senhor do engenho, depois de esforços inúteis, desanimado já do resultado de tanta investigação, prostrou-se de joelhos, rogando fervorosamente a Nossa Senhora que lhe mostrasse o lugar onde se ocultava a referida rês.
E a tradição nos refere que: “uma Senhora resplandecente de luz, vestida de azul e branco, ornada de uma coroa luminosa, no alto do morro apontava para o pobre negro, dizendo-lhe que fosse ao lugar onde Ela estava.”
No mesmo lugar de onde desapareceu a Senhora, estava a rês tresmalhada.
Este fato extraordinário deu lugar à edificação da primitiva ermida em memória da graça alcançada pelo escravo, e motivou também a conversão daquele fazendeiro.
Data de 1624 a investigação histórica de Frei Agostinho de Santa Maria.
O piedoso sacerdote Pe. Manuel Araújo edificou o antigo templo dedicado a Nossa Senhora da Pena, transportando de Portugal uma belíssima imagem de Nossa Senhora, a qual tem no braço esquerdo o Infante Jesus, ostentando, na mão direita uma pena de ouro , instrumento de transmissão da palavra escrita, símbolo sagrado de proteção aos jornalistas e publicistas católicos.
Até aqui a notícia histórica da origem do título – Nossa Senhora da Pena, notícia esta extraída da revista “Reparação.”
Mas… que relação haverá entre a graça concedida por Nossa Senhora ao pobre escravo e a “pena de escrever?!”
A palavra “pena”, no milagre citado, queria dizer, provavelmente, “dó”, “compaixão”, por ter-se Nossa Senhora compadecido da desgraça do escravo, e no entanto Nossa Senhora ficou sendo Padroeira dos jornalistas, porque deram à palavra “pena” outro sentido.
Falando nisto, numa carta escrita ao Revmo. Pe. Arno Miranda, S. Revma. assim me respondeu: “Realmente, o título Nossa Senhora da Pena não se liga àquele fato histórico, que aliás deu início ao famoso Santuário do Rio de Janeiro.” Mas o que li a respeito foi: no quadro inicial havia, em espanhol, a legenda Neutra Se de la Peña, e o nosso povo, não fazendo caso do “ñ” com til, dizia “Pena”, talvez para diferenciar de Nossa Senhora da Pena, já existente. Daí foi um passo para os jornalistas procurarem todos os anos sua “Padroeira.”
Até aqui a explicação do Revmo. Pe. Miranda. Mas então, se deram a princípio a Nossa Senhora o título de – da “Penha”, é porque é quase certo que Ela apareceu no alto de alguma penha ou rochedo.
Enfim, não cogitemos da mudança de sentido da palavra que deu origem ao título: ele assim se firmou nos corações dos que amavam a Mãe de Deus; continuemos, pois, a considerar Nossa Senhora da Pena a Padroeira dos jornalistas e publicistas católicos, que eles bem precisam da proteção da Sede da Sabedoria.
Voltemos à notícia da revista “Reparação”:
Devemos ao espírito religioso de José Rodrigues de Aragão a reedificação do Santuário.
Elevado em lugar íngreme, sem as facilidades atuais de transporte em veículos modernos, poder-se-á  imaginar a soma de esforços empregados para a construção de um novo templo naquele local.
Um segundo fato, que a tradição considera miraculoso, foi a extraordinária fonte de água cristalina, que rebentou justamente na fase aguda da construção do templo. O terreno silicoso e ressequido passou por verdadeira transformação.
Em 1770 estava pronto o Santuário. O seu grande benfeitor, José Rodrigues de Aragão, além da estrutura acabada do templo com as pinturas, decorações e painéis, ornou o Santuário de Nossa Senhora da Pena com alfaias e mobiliário, assegurando a vida material do culto com doações pecuniárias e com patrimônio em terrenos.
O culto acendrado que o povo carioca vem constantemente tributando a Nossa Senhora da Pena tem atraído para aquele bairro não somente o nosso povo, mas também literatos, jornalistas, intelectuais, e até curiosos sem as alegrias íntimas da Fé, e turistas, que demandam o Santuário para ali, em seu museu e em objetos de culto e devoção, admirar a obra de Deus pelas mãos virginais de Nossa Senhora da Pena de Jacarepaguá.
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