Maria, Verdadeira Mãe de Deus

Virgem de Roscevales

Vejamos agora como a Santíssima Virgem é realmente Mãe de Deus. Para que uma mulher possa dizer-se verdadeiramente mãe, é necessário que subministre à sua prole, por via de geração, uma natureza semelhante (ou seja, consubstancial) à sua.

Suposta esta óbvia noção da maternidade, não é tão difícil compreender de que modo a Virgem Santíssima possa ser chamada verdadeira Mãe de Cristo, tendo Ela subministrado a Cristo, por via de geração, uma natureza semelhante à sua, ou seja, a natureza humana.

A dificuldade surge, porém, quando se procura compreender de que modo a Virgem Santíssima pode ser chamada verdadeira Mãe de Deus, Pois não se vê bem, à primeira vista, de que modo Deus possa ser aqui gerado. Não obstante isso, se observarmos atentamente as duas fórmulas: Mãe de Cristo e Mãe de Deus, elas se equivalem, pois significam a mesma realidade e são, por isso, perfeitamente sinônimas.

Nossa Senhora, com efeito, não é denominada Mãe de Deus no sentido de que houvesse gerado a Divindade (ou seja, a natureza divina do Verbo), e sim no sentido de que gerou segundo a humanidade, a divina pessoa do Verbo.

O sujeito da geração e da filiação não é a natureza, mas a pessoa. Ora, a divina pessoa do Verbo foi unida à natureza humana, subministrada pela Virgem Santíssima, desde o primeiro instante da concepção; de modo que a natureza humana de Cristo não esteve jamais terminada, nem mesmo por um instante, pela personalidade humana, mas sempre subsistiu, desde o primeiro momento de sua existência, na pessoa divina do Verbo. Este e não outro é o verdadeiro conceito da maternidade Divina, tal como foi definida pelo Concilio de Éfeso, em 431.

Em suma, Maria concebeu realmente e deu à luz segundo a carne à pessoa divina de Cristo (Única pessoa que há n’Ele) e, por conseguinte, é e deve ser chamada com toda propriedade Mãe de Deus.

Não importa que Maria não haja concebido a Natureza divina enquanto tal (tampouco as outras mães concebem a alma de seus filhos), já que essa natureza divina subsiste no Verbo eternamente e é, por conseguinte, anterior à existência de Maria. Ela, porém, concebeu uma pessoa – como todas as mães-, e como essa pessoa, Jesus, não era humana, mas divina, segue-se logicamente que Maria concebeu segundo a carne a pessoa divina de Cristo, e é, portanto, real e verdadeiramente Mãe de Deus.

Dado o que acima demonstramos podemos concluir que o dogma da Divina Maternidade compreende que Maria é verdadeira mãe, ou seja, Ela contribuiu na formação da natureza humana de Cristo com tudo a que aportam as outras mães na formação do fruto de suas entranhas e que Maria é verdadeira Mãe de Deus, pois, concebeu e deu a luz a segunda pessoa da Santíssima Trindade, ainda que não enquanto a sua natureza divina,

A Primeira alusão à Mãe de Deus nas Escrituras.

“Porei Inimizades entre ti e a mulher, e entre a tua posteridade e a posteridade dela. Ela te pisará a cabeça, e tua armarás traições ao seu calcanhar.” (Gen. III, 15) A tradição cristã encontrou neste trecho das Escrituras denominado de Proto-Evangelho, o primeiro traço que serve para designar o Messias e sua vitória sobre o espírito do mal. Com efeito, Jesus representa eminentemente a posteridade da mulher, em luta com a posteridade da serpente. Se Jesus é assim chamado, não é em virtude do laço remoto que o une a Eva, pois esta não pode transmitir a seus descendentes senão a natureza decaída, ferida, privada da vida divina, mas antes, em razão do laço que o une a Maria, no seio da qual Ele tomou uma humanidade imaculada.

Com efeito, a Escritura nos diz expressamente que Maria é a Mãe de Jesus: “Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo”, (Mt. 1,16). “Estavam junto à cruz de Jesus, sua Mãe…” (Jo. 19,25) “Com Maria, a Mãe de Jesus…” (At. 1, 14). Jesus nos é apresentado como concebido pela Virgem (Lc. I, 31) e nascido da Virgem (Lc. II, 7-12).

Mas, Jesus é verdadeiro Deus, como resulta do seu próprio e explícito testemunho, confirmado por milagres, pela fé apostólica da Igreja, pelo testemunho de São João, etc. Para se poder negar sua divindade, não há outro caminho senão rasgar todas as páginas do Novo Testamento.

Ora, se Maria é verdadeira Mãe de Jesus e Jesus verdadeiro Deus, segue-se necessariamente que Maria é verdadeira Mãe de Deus. São Paulo ensina explicitamente que, “Chegada à plenitude dos tempos, Deus mandou seu Filho, feito de uma mulher”. (Gal. IV, 4). Por estas palavras, manifesta-se claramente que Aquele que foi gerado desde toda a eternidade pelo Pai é o mesmo que foi depois gerado no tempo pela Mãe; mas aquele que foi gerado desde toda a eternidade pelo Pai é Deus, o Verbo. Portanto, também o que foi gerado no tempo pela Mãe é Deus, o Verbo.

Ainda mais clara e explícita é a expressão de Santa Isabel. Respondendo à saudação que Maria lhe dirigiu, Santa Isabel, inspirada pelo Espírito Santo disse cheia de admiração: “E como me é dado que a Mãe de meu Senhor venha a mim?” (Luc. I,43).

A expressão meu Senhor é, evidentemente, sinônimo de Deus, pois que, em seguida, Isabel acrescenta: “Cumprir-se-ão em Ti todas as coisas que te foram ditas da parte do Senhor”, ou seja, da parte de Deus. Isabel, portanto, inspirada pelo Espírito Santo, proclamou explicitamente que Maria é verdadeira Mãe de Deus.

Fonte: Stundenti Roma

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