Invocação Mariana: Nossa Senhora da Salette

Melanie Calvat nasceu em 7 de novembro de 1831, em Corps, pequeno povoado dos Alpes Franceses. Muitas crianças da zona rural eram empregadas como pastoras entre a primavera e o outono, a serviço de outras famílias, algo mais abastadas, donas de alguns animais. Melanie Cavalt começou pastorear nos morros quando estava com seis anos. Era uma menina muito sensível. Não sabia ler nem escrever. Pouco freqüentava a igreja paroquial. Tinha mais prazer em vaguear pelas montanhas à procura de ermidas perdidas nas quais orava.

Seu pai, Pedro Cavalt, ensinou-a a rezar. Ele trabalhava na construção e por isso passava semanas ausente de casa. A mãe, Júlia Bernard, ralhava muito com ela, porque Melanie sempre chorava quando assistiam a algum espetáculo na aldeia. Melanie não se sentia muito à vontade no meio das pessoas. Preferia a solidão dos montes. Uma tarde, mandaram-na para fora de casa e ela foi para a floresta. Sentada sobre um tronco, novamente começou a chorar com saudades de seus pais.
Maximino Giraud também nasceu em Corps, em 27 de agosto de 1835. Estava, portanto, com 11 anos de idade quando conheceu Melanie. Também não sabia ler nem rezar; falava apenas o dialeto de sua região e também pastoreava. Muito curioso, não possuía a sensibilidade de Melanie, nem a sua espiritualidade, embora fosse bom e singelo. E aconteceu que o pastor que guardava as duas vacas, duas terneiras, e duas cabras de Pedro Selme, adoeceu, de modo que esse camponês chamou Maximino para substituí-lo, e sendo ele mais novo, mandou que se juntasse a Melanie, que conduzia e cuidava nos altos pastos das quatros vacas do senhor Prat.
Maximino veio juntar-se a Melanie. Ela o viu e ficou triste.
Estranhou, porque achava que todo mundo na região sabia que ela “fugia de todas as companhias”.
Resmungando, o aceitou pondo como condição que ele não a incomodasse. “Pode deixar, eu me comportarei direitinho”, ele respondeu. “Eu me divertia sozinha com as flores”, escreve Melanie. Falava com elas sem mais nem menos, e Maximino, estupefato, ria dela e lhe dizia que não fizesse aquilo, pois as flores, para ele, não tinham ouvidos. O som do sino da Salete marcava a “hora do Angelus”. Melanie rezava enquanto Maximino tirava o chapéu e guardava silêncio. Assim, chegou a hora de comer. Tirou o pão da mochila e, como costumava fazer, fez uma grande cruz com a ponta da navalha; no centro, abriu um pequeno buraco… “Se o diabo estiver, saia; se o bom Deus, fique.” Assim falou Melanie; mas Maximino, que não parava de rir, jogou o pão para ela ladeira abaixo, de um pontapé. Não se aborreceram e continuaram comendo.
No dia seguinte, 19 de setembro de 1846, voltaram a encontrar-se. Maximino se acostumara com Melanie; escutava atentamente o que ela dizia às flores… E se propôs que ela lhe ensinasse um jogo. Melanie disse: “vamos fazer um ‘paraíso’.” Puseram-se a colher flores, uma boa quantidade. Não havia pedras no local, de modo que Melanie propôs conduzirem os animais até “uma pequena planície perto da ribanceira”, onde as encontrariam. Partiram para a tarefa; terminaram, e Melanie explicava e Maximino o símbolo. Ficaram olhando; o sono bateu neles, afastaram-se alguns passos e deitaram para dormir sobre a relva.
Ao acordar, Melanie não viu o gado. Chamou seu companheiro, enquanto subia a colina. Do cume, viu os animais deitados, muito tranqüilos, em outro prado. Eu descia e Maximino subia quando de repente vi uma bela luz, mais brilhante que o Sol. Chamou a atenção de Maximino e este gritou, jogando do chão o pau que trazia. viram aquela luz intensa, que não fazia mal, arrendondada, rasgando-se, e dentro dela apareceu uma belíssima Senhora, ainda mais luminosas, sentada sobre o paraíso feito por eles. “Meu Coração”, conta Melanie “Queria correr mais depressa que eu.” No início, tinha o rosto entre as mãos; parecia chorar muito. E então, a Senhora ficou de pé, cruzou os braços sobre o peito e pediu-lhes cortesmente que se aproximassem. Tinha “uma grande notícia” a anunciar-lhes. Bem na frente dela, muito perto, a Senhora começou a falar. Dos olhos Dela, caíam lágrimas constantes, que não cessaram durante todo àquele tempo extraordinário. A sua mensagem era profética, apocalíptica, cheia de misericórdia, e Ela repetiu que o homem, se trabalha, deve santificar as festas, pois a sofreguidão do trabalho, da produção cega, é viciada, acaba maldizendo as colheitas dos campos, tornando-os estéreis e atraindo castigos sobre vidas e bens. A virgem disse-lhes o seguinte, para que o transmitissem a todos.
“Vinde, meus filhos, não tenhais medo, aqui estou para vos contar uma grande novidade!”
“Se meu povo não quer submeter-se, sou forçada a deixar cair o braço de meu Filho. É tão forte e tão pesado que não o posso mais”
“Há quanto tempo sofro por vós”
“Dei-vos seis dias para trabalhar, reservei-me o sétimo, e não mo querem conceder! É isso que torna tão pesado o braço de Meu Filho”
“E também os carroceiros não sabem jurar sem usar o nome de meu Filho. São essas as duas coisas que tornam tão pesado o braço de meu Filho”
“Se a colheita for perdida a culpa é vossa (…) Orai bem, obrai o bem.”
“Se a colheita se estraga, e só por vossa causa, Eu vo-lo mostrei no ano passado com as batatinhas: e vós nem fizestes caso! Ao contrário, quando encontráveis batatinhas estragadas, juráveis usando o nome de meu Filho. Elas continuarão assim, e neste ano, para o Natal, não haverá mais”
A palavra “batatinhas”, em francês: “pommes de terre”, deixa Melania intrigada. No dialeto da região, se diz “la truffa”. E a palavra “pommes” lembra-lhe o fruto da macieira. Ela se volta então para Maximino, para lhe pedir uma explicação. A Senhora porém, adianta-se dizendo: “Não compreendeis, meus filhos? Vou dizê-lo de outro modo
A Senhora repete, as últimas frases no dialeto de Corps, língua falada correntemente por Maximino e Melânia, a Bela Senhora prossegue sempre no dialeto: “Se tiverdes trigo, não se deve semea-lo. Todo o que semeardes será devorado pelos insetos, e o que produzir se transformará em pó ao ser malhado”. “Virá grande fome. Antes que a fome chegue, as crianças menores de sete anos serão acometidas de trevor e morrerão entre as mãos das pessoas que as carregarem, Os outros farão penitência pela fome. As nozes caruncharão, as uvas apodrecerão”
De repente, a Bela Senhora continua a falar, mas somente Maximino a entende. Melânia percebe seus lábios se moverem, mas nada entende. Alguns instantes depois, Melânia por sua vez, pode ouvir, enquanto Maximino, que nada mais entende, faz girar o chapéu na ponta do cajado ou, com a outra, brinca com pedrinhas no cho. – “Mas nenhuma sequer tocou os pés da Bela Senhora!”, excusar-se-ia alguns dias mais tarde.- “Ela me disse alguma coisa ao me dizer: Tu não dirás nem isso. Depois, não compreendia mais nada, e durante esse tempo, eu brincava”.
Assim a Bela Senhora falou em segredo a Maximino e depois a Melânia. E novamente, os dois em conjunto ouvem as seguintes palavras: “Se se converterem, as pedras e rochedos se transformarão em montões de trigo, e as batatinhas serão semeadas nos roçados” “Fazeis bem vossa oração, meus filhos?” Respondem as crianças. “Não muito Senhora”. A Senhora lhes diz: “Ah! Meus filhos, é preciso fazê-la bem, à noite e de manhã, dizendo ao menos um Pai Nosso e uma Ave Maria quando não puderdes rezar mais. Quando puderdes rezar mais, dizei mais”. “Durante o verão, só algumas mulheres mais idosas vão à Missa. Os outros trabalham no domingo, durante todo o verão. Durante o inverno, quanto não sabem o que fazer, vão a Missa zombar da religião. Durante a Quaresma vão ao açougue como cães”. “Nunca viste trigo estragado, meus filhos”
“Não Senhora,” responderam eles. Então Ela se dirige a Maximino:
“Mas tu, meu filho, tu deves tê-lo visto uma vez, perto do Coin, com teu pai. O dono da roça disse a teu pai que fosse ver seu trigo estragado. Ambos fostes até lá. Ele tomou duas ou três espigas entre as mãos, esfregou-as e tudo caiu em pó. Ao voltardes, quando estáveis a meia hora de Corps, teu pai te deu um pedaço de pão dizendo-te: “Toma, meu filho, come pão neste ano ainda, pois não sei quem dele comerá no ano próximo, se o trigo continuar assim” .
Maximino responde “É verdade, Senhora, agora lembro. Há pouco não lembrava mais”.
E a Bela Senhora conclui, não mais em patois, e sim em francês:
“Pois bem, meus filhos, transmitireis isso a todo o meu povo.”
Terminou assim a aparição daquela grande Senhora após um diálogo com as crianças. Deu meia-volta; cruzou o córregozinho, que tinha água e ficava seco em alguns períodos do ano, e a partir daquele momento já nunca pararia de fluir; continuou subindo até a colina onde Melanie estivera antes. Ela andava, mas as plantas de seus pés não esmagavam a relva, quase não dobravam os talos. Melanie correu e a contemplou de novo lá no alto. Teve a visão mística de seus olhos. E depois desse presente, viu o rosto e a figura da Senhora desaparecendo à medida que a luminosidade aumentava, como fundindo-se com a luz, até a imagem sumir e restar apenas o fulgor, que aos poucos acabou sendo também absorvido aos olhos de Melanie.
Desceram para o povoado mais rápido do que era de costume. Assim que chegaram, Melanie não falou, mas Maximino não agüentava esperar. Os dois tinham vistos e ouvido a grande Senhora, e ela lhes falara. “O vestido era branco prateado, não de pano, mas de “glória”. Muito bela, tudo Nela “respirava majestade, esplendor, a magnificência de uma Rainha incomparável”. Trazia sobre a cabeça uma coroa de rosas “que não eram da terra”; elas mudavam e emitiam raios. Das rosas surgiam feixes de ouro e multidão de outras florezinhas, misturadas com pedrinhas preciosas. Aquele diadema “brilhava mais que o nosso Sol da terra”. tinha um Cruz pendurada, com um Cristo; num dos extremos, um martelo, e no outro, um torquês. Sua voz era doce; e quanto aos olhos, para que falar dos olhos? Melanie tenta, mas nada é comparável a eles; nem os diamantes, nem as pedras preciosas jamais achadas… nada. Ela aparecera com um avental em cima do vestido, segundo era costume das camponesas do lugar. Esta peça e os sapatos eram tão sublimes e formosos quanto o vestido…
Os meninos voltaram à vila ao escurecer e contaram tudo que tinham visto e ouvido na montanha. Alguns acreditaram, outros duvidaram. Foram obrigados a repetir a história várias vezes e sofreram muito.
No dia 21 de setembro, tiveram início as romarias ao local da aparição. Muitos milagres foram comprovados. O bispo de Grenoble, a cuja diocese pertencia o sítio da Sallete, no dia 1º de maio de 1852, fundou uma Congregação de Missionários cuja missão era transmitir a mensagem de Nossa Senhora.
O Santuário ficou pronto em 1879. Maximino morreu ainda jovem. Melanie faleceu em 1904, em odor de santidade, como uma das fundadoras da Congregação das “Filhas do Zelo do Divino Coração de Jesus”.
Oração à Nossa Senhora da Sallete
Lembrai-vos, ó Nossa Senhora da Sallete,
das lágrimas que derramastes no Calvário.
Lembrai-vos também dos angustiados cuidados que tendes por mim para livrar-me da justiça de Deus.
Depois de terdes demonstrado tanto amor por mim, não podeis abandonar-me.
Animado por este pensamento consolador
venho lançar-me a vossos pés.
Apesar de minhas infidelidades e ingratidões.
Não rejeiteis a minha oração, ó Virgem reconciliadora,
mas atendei-me e alcançai-me a graça que tanto necessito.
Ajudai-me a amar a Jesus sobre todas as coisas.
Eu quero enxugar as vossas lágrimas por meio de uma vida santa e assim merecer um dia viver convosco e desfrutar a felicidade eterna do céu.
Amém.
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