“Quo vadis, Domine”?

Autor: Frei Lourenço Maria Papin, OP
Santa Cruz do Rio Pardo/SP
 
 

Não se espante com as palavras latinas acima. Logo mais você vai perceber sua emocionante relação com São Pedro que, certamente, é uma das mais simpáticas e encantadoras figuras do Novo Testamento, amado e festejado pelo Povo de Deus em toda parte.

No calendário universal da Igreja sua Festa é celebrada no dia 29 de junho. No Brasil, por não ser feriado essa data, a Festa é celebrada sempre no Domingo mais próximo do dia 29 ou que coincide com esse dia. Este ano, a Festa litúrgica ocorrerá no dia 03 de julho.

São Pedro foi um homem simples e sincero, espontâneo e inteligente com o qual Cristo simpatizou-se e vai sumamente valorizá-lo. Os evangelhos estão pontilhados de interessantes e até pitorescos episódios sobre sua pessoa

Chamava-se Simão, filho de Jonas e irmão de André, nascidos na cidadezinha de Betsaida, na margem do lago de Tiberíades, na região da Galiléia, no norte da antiga Palestina.

“Estou indo a Roma para ser novamente crucificado”

Os três eram seguidores de João Batista que batizava nas águas do Rio Jordão. Certo dia, André disse a Simão: “Encontramos o Messias” (que quer dizer Cristo). E conduziu Simão até Jesus que fitando-o lhe disse: “Tu és Simão, filho de Jonas, mas te chamarás Kefas, que significa Pedra”.

Várias vezes Pedro fez a travessia do lago de Tiberíades com Cristo. Numa dessas travessias, num dia em que as águas do lago não estavam pra peixe, Cristo anuncia a missão de Pedro. Diante de uma pesca abundante acontecida por ordem de Cristo, Pedro, pescador experiente, atemorizado lançou-se aos pés do Senhor dizendo: “Afasta-te de mim que sou um homem pecador”. Ao que Jesus replicou: “Não tenhas medo! Doravante serás pescador de homens”.

Noutra ocasião, encontrando-se Jesus na região rochosa de Cesaréia de Filipe, proclama o primado de Simão sobre a Igreja que estava fundando, ao dizer: “Tu és Kefas, Pedra (Pedro) e sobre esta pedra eu edificarei a minha Igreja… Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra, será ligado nos Céus e tudo que desligares na terra será desligado nos Céus”.

No monte Tabor, Pedro, André e João, abatidos pelo anúncio da morte iminente do Mestre, são confortados pela manifestação da divindade do Cristo em sua gloriosa transfiguração.

Na véspera da morte do Cristo, Pedro fraqueja diante de uma empregada do Sumo Sacerdote, por três vezes negando que não conhecia o Cristo. Por um momento, a Pedra como que tornou-se areia. E Pedro chorou amargamente. Narra uma tradição, que tanto chorou esse pecado, ao longo da vida, que no seu rosto se formaram dois sulcos provocados por tantas lágrimas de arrependimento que correram.

Após a ressurreição, por três vezes professará seu amor incondicional ao Cristo que confirma o primado de Pedro, repetindo-lhe também por três vezes: “Apascenta minhas ovelhas”.

Pedro tornou-se pastor destemido, modelo do rebanho, coordenando várias comunidades e presidindo à Igreja que nascia. Deixou-nos três preciosas cartas que fazem parte da Bíblia Sagrada. Como Paulo, Pedro também foi até Roma. Da Igreja plantada e fundada em Roma foi o primeiro Bispo.

Narra-nos uma lenda que, desanimado diante das duras perseguições do Império Romano, resolveu deixar a cidade. Ao sair de Roma, encontra-se com o Cristo a quem pergunta atônito: “Quo vadis, Domine”? Traduzindo: “Para onde vais, Senhor”? Ao que o Senhor lhe respondeu: “Estou indo a Roma para ser novamente crucificado”.

Pedro então voltou e, como reza antiga tradição, acabou morrendo também crucificado como o Cristo, porém de cabeça para baixo, em sinal de humildade.

“Quo vadis” tornou-se o título do famoso romance do polonês Henryk Sienkiewicz (1896), que deu origem ao belíssimo filme “Quo vadis”, seguido de outros dois filmes homônimos.

Essa sugestiva lenda é bem um retrato da trajetória desse homem profundamente humano, que apaixonadamente amou o Cristo e por Ele e pela sua Igreja deu a própria vida.

A Pedro, como Bispos de Roma e pastores de toda a Igreja, já sucederam 265 Papas. Ontem Pedro foi o bem-aventurado João Paulo II. Hoje Pedro é Bento XVI. E pelos séculos afora continuará essa ininterrupta sucessão apostólica, garantia da veracidade e da unidade da própria Igreja.

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