Nossa Senhora da Eucaristia

Autor: Frei Lourenço Maria Papin, OP
Santa Cruz do Rio Pardo/SP

Dia 23 de Junho, quinta-feira, no mundo inteiro a Igreja estará celebrando Corpus Christi, como uma explosão eucarística de amor, adoração e carinho, respeitosamente contidos na Quinta-feira Santa da Ceia do Senhor, por ser a véspera da morte do Senhor.

A quinta-feira Santa, dia da instituição da Eucaristia, como que prolonga liturgicamente na Solenidade jubilosa de Corpus Christi.

Ainda que os evangelhos não façam referência presença de Maria na Eucaristia, estou convicto dessa sua presença, pois como Mãe não podia deixar de estar presente nos grandes acontecimentos da vida de seu Filho.

O artista dominicano Beato Angélico (1400 – 1455), numa intuição bíblico-teológica, deixou-nos um lindo quadro em afresco (Museu de São Marcos-Florença) em que apresenta a comunhão dos apóstolos e de Maria humildemente ajoelhada em adoração, num extremo da Mesa da Última Ceia.

A Última Ceia - Beato Angélico

Se convicto estou da presença de Maria na instituição da Eucaristia, mais convicto estou de que “Maria é mulher eucarística, na totalidade da sua vida” como afirmou o bem-aventurado João Paulo II na sua encíclica “A Igreja vive da Eucaristia” de 17.04.2003.

E inspirando-me nesse documento pontifício faço aqui algumas reflexões sobre a relação Maria-Eucaristia.

– O SIM de Maria acreditando no mistério da concepção do Salvador em seu ventre virginal por obra do próprio Deus é como que um ato de fé antecipado na Eucaristia, realidade sacramental do corpo e sangue do mesmo Salvador.

– O SIM de Maria, enquanto disponibilidade total ao Senhor, torna-se o mais sublime gesto eucarístico. Aliás, podemos considerar a Eucaristia como um prolongamento da Encarnação do Filho de Deus que aconteceu através do SIM de Maria.

– E entre o SIM de Maria e o AMÉM de quem recebe a Eucaristia podemos ver uma profunda analogia: como Ela, também nós acreditamos na palavra do Senhor.

– No episódio de Maria, grávida de Deus, visitando Isabel, “de certo modo Maria serve de ‘sacrário’ – o primeiro ‘sacrário’ da história – para o Filho de Deus que, ainda invisível aos olhos dos homens, se presta à adoração de Isabel, ‘irradiando’ a sua luz através dos olhos e da voz de Maria”.

– A convivência de Maria com Jesus, desde seu nascimento em Belém até sua morte na cruz, sua Ressurreição e Ascensão ao Céu em Jerusalém, foi uma realidade de comunhão eucarística enquanto Ela esteve intimamente unida ao seu Filho no serviço, na entrega e na doação.

– É inconcebível não pensar em Maria presente nas Celebrações Eucarísticas dos fiéis da era apostólica, que eram assíduos à “fração do pão” ou seja, à Eucaristia, como nos refere Lucas no livro dos Atos dos Apóstolos.

– Como não imaginar a emoção de Maria ao ouvir de Pedro, João, Tiago e demais apóstolos, as palavras de seu Filho: “Isto é o meu corpo que é entregue por vós”?

– Como não pensar em Maria recebendo a Eucaristia, “quase acolhendo de novo em seu ventre aquele coração que batera em uníssono com o d’Ela e reviver o que tinha experimentado pessoalmente junto da cruz”?

– A Eucaristia é a síntese da vida de Cristo, enquanto supremo gesto de amor, doação e serviço. Cheia de graça, Maria correspondeu a esse gesto vivendo aqui na terra, até às ultimas consequências, o seu SIM expresso nas palavras ao Anjo: “Eis aqui a servidora  do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa palavra”.

– Com seu exemplo de servidora, discípula e seguidora do Cristo, Maria vem nos inspirar e ajuda a melhor entender a vivenciar a Eucaristia de seu Filho.

– Nessa sua encíclica João Paulo nos convida a entrar na escola de Maria e aceitar sua companhia, afirmando que como mãe da Igreja Ela está presente em cada uma das celebrações eucarísticas. Nessa escola, com tão bondosa mãe e mestra, certamente aprenderemos a bem amar, adorar e viver o mistério da Eucaristia em nosso dia-a-dia e a solenemente celebrar Corpus Christi, jubilosa Festa da Eucaristia.

– Por tudo isso que vim refletindo, convido o prezado leitor a viver e adorar a Eucaristia e filialmente venerar Maria, Nossa Senhora da Eucaristia.

Frei Lourenço Maria Papin, OP

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