O Anjo Bom da Bahia

Autor: Frei Lourenço Maria Papin, OP
Santa Cruz do Rio Pardo/SP

Neste Domingo, 22 de maio, a Igreja no Brasil viverá um dia de intenso júbilo: a beatificação da brasileira Irmã Dulce, em solene cerimônia presidida pelo Cardeal Dom Geraldo Agnelo, Arcebispo emérito de Salvador, por delegação do Papa Bento XVI.

Ela nasceu em Salvador (BA) aos 26 de maio de 1914. Seu nome de Batismo: Maria. Seu nome de registro civil: Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes. Foram seus pais Augusto Lopes Pontes e Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes. Sua mãe faleceu quando ela tinha 07 anos.

Desde cedo Maria Rita mostrava-se uma garota alegre e extrovertida. Consta que apreciava o futebol e seu time de coração era o Esporte Clube Ypiranga, formado por trabalhadores e pessoas socialmente excluídas.

Espelhando-se no seu pai, dentista que atendia gratuitamente os necessitados, a menina Maria Rita, com seus dozes anos, já visitava algumas áreas carentes de Salvador, em companhia da sua tia, irmã de sua mãe.

Visitando casebres da periferia de Salvador, começou a conhecer de perto a pobreza, o sofrimento dos doentes carentes, das crianças abandonadas e dos pais desempregados. Essa experiência despertou em Maria Rita um grande amor pelos pobres que se tornaram sua opção preferencial.

Aos 15 anos entrou para a Ordem Terceira Franciscana, cujo carisma é viver a pobreza evangélica.

Em fevereiro de 1933, aos 19 anos, apenas formada professora, entrou para Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, na cidade de São Cristovão-SE. Como então era costume mudou seu nome para Irmã Dulce, em homenagem à sua falecida mãe.

Sua primeira missão como freira foi lecionar num colégio mantido pela Congregação em Salvador. Seu desejo, porém, era trabalhar com os pobres.

Já em 1935 dava assistência a uma comunidade muito pobre de Alagados do bairro de Itapagipe. Atendendo também a numeros operários desse bairro, criou um posto médico e foi pioneira ao fundar a União Operária São Francisco, primeira organização operária católica do Estado.

Juntamente com o franciscano frei Hildebrando Kruthaup fundou o Círculo Operário da Bahia, mantido com rendas de três cinemas que os dois construíram através de doações recebidas.

Freira de idéias avançadas, fundou o Colégio Santo Antonio para operários e filhos de operários.

Freira destemida, invadiu cinco casas na Ilha dos Ratos, para abrigar os doentes que encontrava pelas ruas de Salvador. Houve reintegração de posse… mas Irmã Dulce não abandonou seus doentes, alojando-os onde encontrava abrigo.

Um fato até pitoresco dessa freira criativa: em 1949, com autorização de sua superiora transformou um galinheiro ao lado convento, num local onde abrigou 70 doentes. Como Irmã Dulce veio a construir o maior hospital da Bahia (Hospital Santo Antonio) os baianos diziam jocosamente que isso aconteceu a partir de um simples galinheiro! Em 1989 esse hospital tinha mais de 700 funcionários.

Alicerçada em sua fé na Divina Providência e movida pela sua ardente caridade, Irmã Dulce conseguiu formar uma impressionante rede de obras visando sobretudo a saúde dos doentes pobres ou abandonados.

Em 1988, o então presidente da República, José Sarney, com o apoio da Rainha Silvia da Suécia, a indicou para o Prêmio Nobel da Paz. O bem aventurado João Paulo II por duas vezes se encontrou com a Irmã Dulce: na primeira, aos 07.07.1980, incentivando-a prosseguir no seu benemérito trabalho; na segunda aos 20.10.1991, para confortá-la em seu leito de enferma em um Convento.

Cinco meses após a visita do Papa, aos 13.03.1992, a Bahia chorou a morte de Irmã Dulce que carinhosamente era chamada de “o bom anjo da Bahia”.

Importante observar que, após a sua morte, suas obras sociais mais do que duplicacaram em núlceos que prestam assistência médica, social e educacional à população sobretudo carente.

Irmã Dulce viveu heroicamente a Caridade amando em plenitude a Deus e aos pobres e marginalizados. Foi uma mulher de oração e de vida eucarística como amorosa oblação a Deus e como serviço aos irmãos. Por tudo isso ela está sendo declarada bem-aventurada.

Deixo aqui minha prece: Bem-aventurada Irmã Dulce, junto de Deus seja o anjo bom não só da Bahia mas também de nosso imenso Brasil. Amém!

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